Países do Golfo pressionam Trump a manter ofensiva contra o Irã, pedem mudança de regime e avaliam participação direta para proteger infraestrutura regional

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Países do Golfo aumentam pressão por mais ação militar dos EUA e por mudanças na liderança iraniana, enquanto parte do grupo prefere negociação diplomática, multiplicando riscos de escalada

Nos últimos dias, governos do Golfo têm intensificado pedidos para que os Estados Unidos mantenham a ofensiva contra o Irã até alcançar mudanças profundas no país, com apelos por maior pressão militar e, em alguns casos, por invasão terrestre.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aparecem como os que defendem postura mais dura, enquanto Catar e Omã buscam soluções diplomáticas e mediação, deixando evidente divisão no bloco.

O aumento da pressão ocorre em um momento em que o presidente americano oscila entre buscar um acordo e advertir para novas escaladas, elevando a incerteza sobre os próximos passos na região.

conforme informação divulgada pelo g1

O que países do Golfo têm pedido aos EUA

Segundo relatos citados pela agência AP, líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein disseram aos EUA, em conversas privadas, que não querem que o conflito termine até que haja mudanças significativas na liderança iraniana ou uma transformação drástica no comportamento do país.

O pedido consolida uma mudança de postura, porque, conforme a AP, se no início do conflito esses países criticaram Washington por não avisar antes de ataques, agora entendem que se abriu uma oportunidade histórica para enfraquecer o regime iraniano.

Em relação a declarações específicas, O príncipe saudita, Mohammed bin Salman, falou em destruir regime do Irã, segundo o jornal “The New York Times”, informação citada pela AP como parte das conversas entre aliados.

Divisão interna entre os Estados do Golfo

Há, porém, divergência entre os Estados do Golfo sobre o caminho a seguir. A AP aponta que Arábia Saudita e Emirados lideram os pedidos por maior pressão militar sobre Teerã, enquanto Omã e Catar, historicamente mediadores, defendem uma solução diplomática.

Os Emirados Árabes Unidos, conforme a AP, já sofreram mais de 2.300 ataques com mísseis e drones iranianos, e essa sequência de incidentes aumentou a frustração do país, que avalia a possibilidade de ações mais contundentes.

Fontes ouvidas pela agência também dizem que Emirados, Kuwait e Bahrein chegaram a apoiar a opção de uma invasão terrestre, embora não exista informação de que Washington tenha pedido participação direta desses parceiros.

Risco de escalada e possibilidades de entrada no conflito

A agência Bloomberg, citada pela AP, informou que os países do Golfo estão considerando entrar no conflito contra o Irã, e que alguns poderiam declarar guerra caso Teerã ataque infraestrutura vital, como instalações energéticas e usinas de dessalinização.

Analistas citados pela AP alertam que a ausência de um objetivo claro e de confiança de que os EUA levariam a guerra até o fim torna alguns países relutantes, mas que um grande ataque com muitas vítimas poderia levá-los a entrar diretamente no conflito.

O Irã também advertiu que poderá atacar infraestrutura crítica dos países vizinhos, incluindo usinas de dessalinização, caso os EUA intensifiquem os ataques, aumentando o temor de uma escalada regional.

Custos, riscos e postura dos EUA

Na Casa Branca, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou na segunda-feira que Trump quer que essas nações ajudem os EUA a pagar pelos custos da guerra contra o Irã, segundo a AP, o que reflete uma negociação sobre ônus financeiro do conflito.

Além disso, relatos apontam para perdas e incidentes recentes, entre eles que três caças americanos foram derrubados por engano por fogo aliado do Kuwait, todos os tripulantes sobreviveram, e que seis militares dos EUA morreram em 12 de março na queda de um avião-tanque no Iraque, fatos mencionados pela AP como parte do balanço de riscos.

Enquanto isso, o jornal The Wall Street Journal indicou que Trump avalia terminar a guerra mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado, mas o presidente também afirmou que “obliterará” infraestrutura vital do Irã e a ilha de Kharg caso não haja acordo, segundo reportagens citadas pela AP.

O cenário descrito por fontes e pela imprensa americana mostra um bloco do Golfo dividido entre a busca por mudança de regime no Irã e a tentativa de evitar que a região se transforme em um teatro de guerra ainda mais amplo, elevando a preocupação internacional sobre os próximos meses.

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