No Pronto Atendimento de Jacupemba, menina chegou com poucos sinais vitais e profissionais identificaram lesões no corpo, pai foi autuado em flagrante por tortura com resultado morte
Eloara de Jesus Izidoro, de 1 ano e 11 meses, deu entrada na unidade de saúde de Aracruz com poucos sinais vitais e não resistiu, morrendo durante o atendimento.
Profissionais do pronto atendimento encontraram marcas de agressão no pescoço, no rosto e na cabeça da criança, lesões que não aparentavam ser recentes, além de marcas na região genital cuja origem não pôde ser determinada.
O caso levou à prisão do pai, que foi autuado em flagrante por tortura com resultado morte, e à abertura de investigação para apurar se houve participação de outras pessoas, inclusive por omissão.
O que a mãe e o pai relataram
No atendimento e durante a chegada da polícia, os relatos entre os dois responsáveis foram distintos. O pai afirmou que, ao chegar em casa, foi surpreendido pelo sobrinho com a criança já desfalecida nos braços, e que familiares providenciaram o transporte até a unidade.
A mãe, identificada como Giovana Nicanor Isidório, disse que o marido, Admilson de Jesus Agapito, agredia a menina com frequência, e afirmou que nos dias anteriores a criança vinha sendo violentada. Em relato à polícia, ela afirmou, “Ela chorava a toa, o pai pegava, batia, agredia, apontava faca”.
Atuação da polícia e medidas adotadas
Os militares foram ao endereço da família após o atendimento, e o pai foi levado à delegacia, onde foi autuado em flagrante e encaminhado ao sistema prisional. A mãe foi detida inicialmente, ouvida e liberada, ela passará a ser investigada por possível omissão.
O delegado responsável, Ricardo Barbosa, afirmou que o acusado negou envolvimento e que a versão da mãe seria fruto de um conflito familiar, “[O pai] alegou que não fez nada e que essa informação dada pela mãe é fruto de um desacordo que existe entre os familiares e ele. Vamos investigar se há participação da mãe ou outras pessoas. Caso haja evidência, nós mudaremos o tipo penal, assim como incluiremos outras pessoas que possam ter participado de forma ativa ou por omissão”.
Perícia, sepultamento e situação da família
O corpo da criança foi encaminhado para a Seção Regional de Medicina Legal em Linhares para necropsia, e depois será liberado para os familiares. A menina nasceu na Bahia e morava com os pais em Aracruz havia cerca de quatro meses.
Autoridades seguem a investigação para esclarecer a dinâmica das agressões, identificar responsabilizações, e apurar se houve participação de terceiros ou omissão por parte de quem convivia com a vítima.
