Crise da Guerra no Irã aprofunda desconfiança entre EUA e parceiros da Otan, acusações públicas crescem, e decisões europeias sobre espaços aéreos e bases complicam operações
A escalada da Guerra no Irã está transformando divergências em rupturas, e a estabilidade da Otan enfrenta tensão inédita desde a sua fundação, com a confiança entre os Estados Unidos e aliados europeus em queda.
O presidente dos EUA intensificou críticas públicas aos parceiros, exigiu mais apoio militar e, diante de recusas, passou a ameaçar a retirada americana da aliança, reacendendo dúvidas sobre o futuro coletivo de segurança transatlântica.
As controvérsias se aprofundaram após decisões de países europeus que restringiram sobrevoos e uso de bases, além de negativas diretas a engajar aeronaves em operações vinculadas à Guerra no Irã, conforme informação divulgada pelo g1
Por que a confiança se quebrou
A principal reclamação de Washington é que aliados europeus não foram consultados antes de ataques ou movimentos militares ligados à Guerra no Irã, e que, depois das operações, passaram a impor limites logísticos que complicaram a mobilidade das forças americanas.
Segundo a cobertura, voos americanos tiveram rotas alongadas e apoio limitado, o que, na visão do governo dos EUA, traduz falta de solidariedade operacional em um momento crítico.
Reações específicas dos países europeus
Vários Estados-membros adotaram medidas que atrapalharam o fluxo de material e aeronaves. A França fechou o espaço aéreo para aviões que transportam armas para Israel, a Espanha fechou o seu espaço aéreo para todos os aviões militares dos EUA, e a Itália impediu que caças americanos pousassem em uma base da Sicília.
Portugal também impôs restrições em suas bases, e essas decisões, juntas, aumentaram o atrito com Washington e alimentaram a narrativa de que a Otan não age de forma unida diante da Guerra no Irã.
Declarações que inflamaram a crise
Em entrevista a bordo do Air Force One, em 29 de março de 2025, o presidente dos EUA fez declarações duras sobre a aliança, e disse, conforme a transcrição citada, “Eu diria que isso não tem mais volta. “Nunca me deixei influenciar pela OTAN. Sempre soube que era um tigre de papel, e Putin, aliás, também sabe disso”.
Na mesma linha, Marco Rubio fez eco às ameaças ao questionar publicamente, “Quando precisamos que nos permitam usar suas bases militares, a resposta é não. Então, por que estamos na Otan? É preciso fazer essa pergunta”, conforme a citação divulgada.
As falas acentuaram a percepção de desunião, e alimentaram temores entre aliados sobre a disposição dos EUA de manter compromissos multilaterais se a Otan não se mostrar mais eficaz para os interesses americanos.
Consequências para o futuro da aliança
Como maior contribuidor da Otan, os Estados Unidos exercem enorme influência, e as ameaças de retirada, feitas por um presidente com histórico de abandonar organismos multilaterais, credenciam a seriedade do risco, segundo analistas citados na cobertura.
A guerra no Irã, além de aprofundar divisões, pode tornar mais difícil recuperar a sintonia anterior, e obrigar uma revisão das regras de cooperação, da logística de bases e do compromisso político entre aliados.
Mesmo com críticas duras, há obstáculos práticos e políticos para uma retirada imediata, o que leva especialistas a prever um período prolongado de negociações, recriminações e tentativas de reconciliação, caso o conflito no Oriente Médio persista.
O desafio agora é equilibrar pressões internas em cada capital europeia com a necessidade de um esforço coletivo de segurança, enquanto a Guerra no Irã segue testando a resiliência da Otan e a capacidade dos líderes de manter coesão frente a crises.
