Produto misturado à água cria camada protetora sobre a vegetação, aumenta a eficiência no combate ao fogo, já é testado no agronegócio e tem produção comercial em expansão
A crescente frequência de incêndios exige soluções que preservem vida, produção e recursos hídricos, e a resposta vem de uma tecnologia desenvolvida a partir de algas marinhas.
Na América do Sul, as áreas queimadas se multiplicaram por 30 entre 2024 e 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
A alternativa é um biogel combate incêndios que se mistura à água e forma uma barreira protetora sobre plantas, permitindo apagar chamas com menos volume de água e maior eficiência.
Da pesquisa ao produto
O pesquisador por trás da solução é formado em química industrial e, após trabalhar em recuperação ambiental, converteu pesquisas em um produto aplicável no campo.
O projeto ganhou impulso em 2019, depois de um grande desastre ambiental no litoral do Nordeste, quando a técnica com alginato de sódio, extraída de algas, mostrou potencial para outras aplicações.
O fundador resume parte do seu percurso com uma frase direta, “Meu sonho era virar pesquisador.”, e transformou a experiência acadêmica em um negócio voltado para riscos climáticos.
Como funciona e onde pode ser aplicado
O biogel combate incêndios é diluído em água e, ao ser aplicado sobre a vegetação, cria uma camada que dificulta a propagação das chamas, ao mesmo tempo em que potencializa a ação da água no resfriamento.
O produto é compatível com equipamentos já usados por brigadas e produtores, como bombas costais, caminhões-pipa e drones, o que amplia o alcance das intervenções e a velocidade de resposta.
Em exemplos práticos do uso, um incêndio em área do tamanho de um campo de futebol, que exigiria cerca de 50 mil litros de água no combate tradicional, pode ser controlado com aproximadamente 7 mil litros quando o gel é adicionado, uma economia de até 85%.
Resultados em campo, produção e modelo de negócio
Testes em plantações mostraram redução do risco de perda por fogo, e produtores relatam confiança na solução durante ensaios práticos.
O produto foi patenteado em 2021 e a startup passou a produzir em escala comercial, com capacidade fabril de 20 mil litros de gel por mês, venda em embalagens de 20 litros por cerca de R$ 2 mil, faturamento de R$ 150 mil em 2025 e expectativa de alcançar R$ 2 milhões em 2026.
Sobre a tecnologia, o criador afirma, “A gente desenvolveu um gel capaz de apagar um incêndio mais rápido, usando menos água. Ele é biodegradável, atóxico e seguro”.
O caminho até o mercado incluiu editais de fomento e programas de apoio à inovação, e a empresa já firmou parcerias internacionais que podem ajudar na expansão.
Desafios e adesão no agronegócio
A transição da pesquisa para a gestão empresarial trouxe dificuldades, como lembra o fundador, “Empreender é um desafio diário. A gestão da empresa e a parte financeira são obstáculos para quem vem do mundo acadêmico”.
Produtores do Nordeste que testaram o produto confirmam o potencial, “A gente fez o teste e viu que o produto realmente atinge a expectativa e diminui o impacto do risco de incêndio na produção”.
Com benefícios claros na redução do consumo de água e maior eficácia no controle das chamas, o biogel combate incêndios surge como alternativa prática para brigadas, viajantes rurais e o agronegócio, enquanto a empresa busca certificações e ampliará a produção para atender a demanda.
