Aparelho automatizado criado na Universidade de Caxias do Sul revoluciona o tratamento para sequelas motoras, facilitando a reabilitação de quem sofreu AVC ou lesões neurológicas
Em um avanço significativo para a fisioterapia, a Universidade de Caxias do Sul desenvolveu o Autofisio 500, um equipamento que automatiza a movimentação dos membros inferiores em pacientes com sequelas motoras causadas por problemas neurológicos.
Antes realizado manualmente, o processo de mobilização passiva agora proporciona maior conforto e eficiência, contribuindo para acelerar a recuperação e prevenir complicações associadas à imobilidade.
Pacientes como Ana Moraes, que sofreu um AVC e apresenta progressos surpreendentes, são beneficiados por essa inovação que alia tecnologia e conhecimento clínico para ampliar as chances de reabilitação.
Inovação tecnológica na reabilitação motora
O Autofisio 500 foi desenvolvido com investimento superior a R$ 3 milhões, adquiridos por meio da Financiadora de Estudos e Projetos, em colaboração com o setor privado. O projeto, liderado pelo diretor-técnico do Hospital Geral de Caxias do Sul, Alexandre Avido, levou cinco anos de pesquisa para se concretizar.
Ao automatizar a movimentação passiva dos membros inferiores, o equipamento previne rigidez articular, perda de força muscular, dor e problemas circulatórios frequentemente enfrentados por pacientes acamados.
Segundo a fisioterapeuta Fernanda Trubíán, que participou da concepção do aparelho, “a mobilização passiva é fundamental para manter as articulações em movimento, preservar as propriedades musculoesqueléticas e favorecer a circulação”, o que aumenta consideravelmente as chances de recuperação motora.
Casos reais demonstram eficácia do aparelho
Um exemplo notável é o caso de Ana Moraes, de 26 anos, que sofreu um AVC em abril de 2025 e passou por um longo período de internação e coma induzido. Ao despertar, ela não conseguia falar, escrever nem mover o lado direito do corpo.
Com reabilitação intensa envolvendo fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento multidisciplinar, Ana virou referência para os testes do Autofisio 500 aplicado na Clínica de Fisioterapia da UCS.
Hoje, ela não utiliza mais cadeira de rodas e caminha com o apoio de uma órtese no pé apenas em trajetos mais longos. Sua evolução tem sido chamada de surpreendente pela equipe médica, evidenciando o impacto direto do aparelho na qualidade de vida dos pacientes.
Compromisso com pesquisas e avanços futuros
A equipe da UCS declara que o projeto representa também uma grande responsabilidade. Como destaca Fernanda Trubíán, é essencial continuar investindo em pesquisas para aprimorar a tecnologia e garantir segurança e eficácia, tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde.
Participar dos testes, conforme relatado pela própria Ana, é um privilégio que traz esperança e motivação para muitos que vivem o desafio da reabilitação pós-AVC ou outras lesões neurológicas.
O Autofisio 500 é um exemplo claro de como a união entre ciência, tecnologia e cuidado clínico pode transformar a vida daqueles que enfrentam limitações motoras, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes e humanizados.
