Terceira Guerra Mundial, qual a probabilidade real de o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã crescer e arrastar potências, riscos e caminhos de contenção

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Entenda se a escalada no Oriente Médio pode desencadear a Terceira Guerra Mundial, quais são os gatilhos, como ataques a rotas de energia e alianças regionais podem arrastar potências e que respostas diplomáticas existem

O atual conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já afetou mais de dez países da região, e cresce o receio de que a crise se transforme em algo ainda maior.

Analistas e historiadores apontam que, apesar do temor, nem todo conflito regional tem as condições para virar uma guerra global, e que fatores como alianças, interesses estratégicos e decisões de líderes serão determinantes.

Nesta reportagem explicamos por que o risco existe, quais são os gatilhos mais prováveis e que medidas podem reduzir a probabilidade de uma escalada que envolva grandes potências.

conforme informação divulgada pelo g1

O que define uma guerra mundial

Para historiógrafos, uma guerra mundial é um conflito generalizado que envolve as principais potências do sistema global, e não apenas disputas regionais. O professor Joe Maiolo define que, na Primeira Guerra Mundial, teriam sido as potências imperiais europeias, e que uma guerra mundial exige o envolvimento direto desses atores.

Do ponto de vista prático, isso significa que o conflito teria de ultrapassar fronteiras regionais e mobilizar alianças e recursos de países como Estados Unidos, China, Rússia e União Europeia, entre outros.

Quais são os gatilhos que podem ampliar o conflito

Especialistas apontam cenários que aumentam o risco de expansão do conflito, entre eles ataques a rotas de navegação e o fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã, o que poderia interromper o abastecimento global de energia e forçar a intervenção de potências com interesses estratégicos.

A professora Margaret MacMillan alerta que, “As pessoas tendem a pensar que as guerras são cuidadosamente planejadas e que aqueles que vão para a guerra sabem exatamente o que estão fazendo”, e que muito do que levou à Primeira Guerra Mundial “ocorreu por acidente e porque as pessoas subestimaram seus oponentes”.

MacMillan também afirma que “Acho que o país com mais probabilidade de escalar o conflito é, provavelmente, o Irã ou seus aliados, como os houthis do Iêmen”, e lembra que ações regionais podem criar oportunidades para movimentos em outros teatros, por exemplo, em Taiwan ou na Ucrânia.

O papel de líderes e a persistência nos objetivos

Decisões individuais de líderes podem ampliar ou frear um conflito. A história mostra que orgulho e recusa em admitir fracasso prolongam guerras, e que isso pode transformar conflitos limitados em confrontos mais amplos e devastadores.

Em outro exemplo citado pelos analistas, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse acreditar que “Acredito que Putin já a começou. A questão é quanto território ele conseguirá tomar e como detê-lo… A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas escolheram para si”.

Há também dados alarmantes sobre custos humanos em guerras recentes, como a estimativa de que, “o ministro da Defesa do Reino Unido calcula que a Rússia tenha sofrido um total de 1,25 milhão de mortes. Acredita-se que este número seja subestimado e, mesmo assim, é muito maior do que todas as mortes americanas ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial [1939-1945], segundo o ministro britânico das Forças Armadas”.

Como reduzir o risco, caminhos para contenção

A diplomacia é apontada como o principal instrumento de contenção. MacMillan destaca que é preciso conhecer o outro lado e manter canais de comunicação, porque em muitos casos foi a atenção e o diálogo que evitaram explorações perigosas das escaladas.

Maiolo ressalta que “é preciso haver um reconhecimento… em Tel Aviv, Washington e Teerã… que eles atingiram os limites do que pode ser alcançado”, e que haverá necessidade de acordos sobre sanções, segurança e o lugar do Irã na política global.

Segundo os analistas, a mediação internacional e acordos graduais, começando por um cessar-fogo, são o caminho mais viável para evitar que uma guerra regional se transforme numa Terceira Guerra Mundial, enquanto que a ação militar descoordenada e a subestimação das consequências aumentam o risco de escalada.

Em resumo, o receio de uma Terceira Guerra Mundial tem base em cenários plausíveis, mas muitos fatores trabalham contra uma escalada automática, incluindo interesses estratégicos divergentes entre potências, custos econômicos e a existência de mecanismos diplomáticos que podem frear o conflito.

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