Pena de morte para palestinos aprovada em Israel provoca condenação da União Europeia, repúdio de oito países muçulmanos e apoio de Ben-Gvir

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Nova lei prevê enforcamento como pena padrão para palestinos condenados por ataques letais, medida classificada como discriminatória pela UE e perigo para a estabilidade regional

Pena de morte para palestinos aprovada pelo Parlamento de Israel elevou a tensão diplomática, com críticas contundentes na Europa e no mundo muçulmano.

A medida estabelece o enforcamento como sentença padrão em julgamentos militares de autores de ataques letais, e já provoca alertas sobre retrocessos em direitos e risco de isolamento internacional.

Os principais opositores argumentam que a lei é discriminatória e pode agravar a violência, conforme informação divulgada pelo g1.

O que determina a nova lei

Aprovada no início da semana pelo Parlamento israelense, a legislação prevê que a pena de morte por enforcamento seja aplicada a condenados por assassinato quando o ataque tiver o objetivo de “acabar com a existência de Israel”.

Críticos apontam que, na prática, a regra recai majoritariamente sobre palestinos, enquanto judeus israelenses que cometam crimes semelhantes tendem a não ser alcançados pela mesma consequência, segundo opositores da lei.

Defensores afirmam que a pena de morte para palestinos funcionaria como elemento de dissuasão, com a expectativa de reduzir ataques mortais e tentativas de sequestro, além de influenciar negociações sobre trocas de prisioneiros.

Reação da União Europeia e do Conselho da Europa

O Conselho Europeu divulgou uma nota em que reafirma posição contrária à pena de morte em qualquer circunstância e classifica a aprovação do projeto como um “grave retrocesso”.

No texto, a UE diz, “Estamos profundamente preocupados com o caráter discriminatório de fato do projeto de lei”, e pede que Israel respeite obrigações do direito internacional e compromissos democráticos previstos no Acordo de Associação UE-Israel.

A presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Petra Bayr, alertou que a aprovação “distancia Israel dos valores do Conselho da Europa, que rejeita a pena de morte em qualquer lugar e sob quaisquer circunstâncias” e que a votação pode levar à exclusão de Israel do órgão.

Posição de países muçulmanos e reações na região

Oito países de maioria muçulmana divulgaram uma declaração conjunta, “condenando veementemente” a lei, segundo comunicado divulgado pelo Paquistão.

Paquistão, Turquia, Egito, Indonésia, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos qualificaram a medida como uma “escalada perigosa”, e pediram esforços internacionais para manter a estabilidade e evitar deterioração.

O Talibã no Afeganistão chamou a legislação de uma “continuação da opressão” e conclamou organizações internacionais a tomar medidas imediatas, enquanto o presidente palestino Mahmoud Abbas denunciou a lei como violação do direito internacional e tentativa de intimidação.

Impactos legais e políticos

Autoridades europeias lembram que a pena capital viola o direito à vida, pode implicar tratamentos cruéis ou degradantes e não tem efeito comprovado de dissuasão, além de tornar irreversíveis possíveis erros judiciais.

Analistas apontam que a adoção da pena de morte para palestinos amplia o escrutínio sobre a conduta de Israel na Cisjordânia, num momento em que há crescente atenção internacional sobre a violência de colonos contra palestinos.

O debate agora deve se deslocar para tribunais, diplomacia e organizações multilaterais, enquanto a lei segue vigorando e suscitando perguntas sobre compliance com tratados e parcerias internacionais.

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