PCC, homem que decidia castigos em Mongaguá é preso após apreensão de celular da chefe Pandora, áudios e grupos expõem função de disciplina na facção

0
9

Investigação cruzou dados do aparelho de Pandora, identificou grupos de “disciplinas” e levou à prisão de um homem apontado como aplicador de castigos pelo PCC

Uma operação policial no litoral paulista resultou na prisão de um homem apontado como responsável por aplicar castigos dentro da facção PCC em uma cidade da região.

O avanço das investigações aconteceu após o cruzamento de dados encontrados em um telefone atribuído à líder conhecida como Pandora, o que permitiu mapear grupos e funções específicas da organização.

Durante a ação, agentes apreenderam aparelhos e áudios que detalham a estrutura de disciplina da facção, e novas prisões foram efetuadas a partir dessas evidências.

Prisão, apreensão e áudios

Leandro da Luz Silva, de 36 anos, foi detido na segunda-feira, no bairro Itaoca, em Mongaguá, depois que policiais cumpriram mandados de busca e de prisão temporária contra ele.

Dois celulares foram apreendidos durante a ação, e, a partir do conteúdo de um deles, os investigadores obtiveram um áudio em que Leandro comenta as investigações antes de ser preso.

O trecho do áudio, extraído do aparelho da esposa do suspeito, traz a fala de Leandro na íntegra, “Comigo não abre não, primo. Eu quebro, mano. Nunca polícia pegou telefone comigo não. O meu telefone é minha vida, irmão. Não pega, mano. Eu quebro, mano. Não tem essa. O meu telefone. Para mim andar na rua, eu já ando com ele na mão. Se a polícia encostar assim, viu? Qualquer dia, eu vou quebrar. Está na minha mão. Entendeu? Nem na cintura eu ando de telefone, mano. Entendeu, mano? Telefone deixa embaixo do travesseiro”.

Mensagens que revelaram a função de disciplina

O cruzamento das mensagens encontradas no celular de Pandora mostrou a existência de grupos chamados de “disciplinas”, com registros e rotinas internas que indicavam a hierarquia e procedimentos da facção nas cidades do litoral.

As conversas apontavam responsabilidades específicas, inclusive registros semelhantes aos de órgãos de segurança, e demonstravam que decisões sobre punições eram organizadas em grupos próprios.

Em nota, a investigação destacou que, “[Os diálogos] apontavam como sendo a responsável pela aplicação de castigos físicos em pessoas que entrassem em algum tipo de desacordo ou conflito com o crime. Além disso, tais conversas apresentavam a abordagem de assuntos internos de grande relevância para o funcionamento da facção que passavam diretamente por seu conhecimento e aval”.

Outras prisões e desdobramentos

Os dados obtidos no aparelho da líder também levaram os policiais a identificar e prender outros integrantes. Entre eles, Luiz Rodrigo Costa Ramos, conhecido como “RD”, foi detido no dia 11 de março, apontado como gerente de tráfico em Itanhaém.

A investigação ainda cita Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, como integrante dos grupos que decidiam castigos, com participação direta na aplicação das sanções internas.

A defesa do homem preso não foi localizada até a última atualização das informações, e a apuração segue para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento da estrutura da facção na região.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here