Em meio a apagões prolongados e escassez de combustível, grávidas cubanas relatam repouso forçado, perda de renda, falta de alimentos e receio de dar à luz sem energia elétrica
Hospitais lutam para manter geradores funcionando, e famílias improvisam fogões a lenha para cozinhar o básico.
A sensação, para muitas gestantes, é de insegurança para o parto e para a vida após o nascimento, em um país onde os serviços estão pressionados.
As informações a seguir são baseadas em relatos e dados divulgados pelo g1, que acompanhou grávidas e profissionais de saúde na ilha, conforme informação divulgada pelo g1
Rotina interrompida e medo do parto
Algumas gestantes passaram semanas sob supervisão médica, e precisam de medicamentos essenciais para a gestação, inclusive insulina, conforme relatos colhidos em maternidades públicas.
Uma das pacientes citadas contou que “Eles fizeram todo o possível por mim no hospital”, enquanto a equipe médica atuava contra o relógio, sob condições desafiadoras.
No fim de semana do dia 21 de março, Cuba enfrentou mais um colapso do sistema elétrico nacional, o que ampliou o temor de partos à luz de lanternas ou celulares.
Os hospitais têm geradores, mas a disponibilidade de combustível é limitada, e isso torna o atendimento mais precário em situações de apagão prolongado.
Casas sem energia, comida escassa e doenças que pioram a gestação
Em bairros de Havana, gestantes descrevem dias sem eletricidade, geladeira vazia e impossibilidade de usar fogão elétrico, o que altera a dieta necessária na gravidez.
Indira Martínez, com sete meses de gestação, relatou que sua casa ficou sem energia e que a família só consegue cozinhar usando um forno a lenha improvisado pelo marido.
Ela contou, “Você precisa se levantar de madrugada, quando a energia volta, para cozinhar o que tiver”, e complementou que, muitas vezes, a comida não tem as vitaminas e proteínas necessárias.
Martínez também afirmou que “Não vi nada da ajuda humanitária enviada para Cuba”, ressaltando que não recebeu leite em pó nem apoio estatal, apesar de campanhas e doações chegarem à ilha.
Durante a gravidez, ela contraiu chikungunya, e afirma estar muito fraca, embora os médicos digam que o bebê apresenta boa saúde.
Impacto social, natalidade e perspectivas para os recém-nascidos
O texto consultado informa que Estima-se que haja atualmente cerca de 32,8 mil mulheres grávidas em Cuba, número que ilustra a dimensão do problema frente à crise dos serviços públicos.
A população cubana envelhece, a taxa de natalidade é baixa e a emigração reduz a força jovem do país, fatores que aumentam a pressão por políticas que incentivem a maternidade.
Por outro lado, muitos jovens já adiavam formar família antes mesmo da atual escassez de combustíveis, por falta de oportunidades e salários baixos.
Indira resume a angústia sobre o futuro, dizendo “Como vou dizer a ela que não há futuro? Porque ela não terá…”, revelando o impacto psicológico da crise nas decisões sobre criar filhos na ilha.
Ajuda internacional, medidas políticas e a resposta dos serviços de saúde
Organizações internacionais e movimentos de solidariedade chegaram a enviar doações para maternidades, mas o acesso e a distribuição variam por região e por unidade hospitalar.
O relato aponta que alguns hospitais receberam caixas com mantimentos e medicamentos, mas muitas gestantes ainda não perceberam efeitos concretos dessa ajuda em suas rotinas.
Autoridades e profissionais tentam manter atendimentos essenciais, mas a combinação de apagões, falta de combustível e limitações logísticas compromete a regularidade do pré-natal e a segurança durante o parto.
Os relatos apontam para um cenário em que mães e bebês nascem em um dos momentos mais difíceis da história recente da ilha, com medo de partos às escuras, redes de saúde sobrecarregadas e famílias improvisando soluções para garantir alimentação.
Enquanto isso, gestantes como Mauren Echevarría e Indira Martínez esperam que não falte energia no momento do parto, e desejam que o bebê tenha acesso a oportunidades que, hoje, parecem incertas.