Pam Bondi é alvo de críticas pela gestão da liberação dos arquivos Epstein, entregues aos poucos e com rasuras que geraram suspeitas de proteção a nomes
A saída de Pam Bondi do cargo de procuradora-geral dos EUA ocorreu em um momento de crescente atrito com o presidente Donald Trump, incluindo frustração com a condução das investigações ligadas a Jeffrey Epstein, e com a lentidão em agir contra críticos e adversários que Trump queria ver processados.
Ao assumir, Bondi afirmou ter “a lista” de Epstein em sua mesa e prometeu divulgação rápida e completa, o que elevou expectativas entre aliados e no público, mas depois recuou, alegando complexidade dos arquivos e risco a investigações em curso.
O caso só avançou depois da aprovação da chamada Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, que obrigou o governo a liberar milhões de páginas, porém a entrega sob o comando de Bondi foi criticada por falhas técnicas e muitas rasuras, o que alimentou acusações de tentativa de ganhar tempo ou de proteger nomes, conforme informação divulgada pelo g1.
Promessas iniciais e recuo administrativo
Logo no início do mandato, Pam Bondi anunciou que tinha a lista de pessoas ligadas ao caso Epstein, e prometeu transparência imediata. A expectativa cresceu entre apoiadores, mas a narrativa mudou quando o Departamento de Justiça passou a alegar que os arquivos eram complexos demais, e que uma liberação imediata poderia prejudicar investigações em andamento.
Lei obrigou a liberação, mas a entrega foi problemática
Com a aprovação da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, o governo foi obrigado a liberar milhões de páginas que estavam retidas, porém a divulgação feita por Bondi ocorreu de forma fragmentada, com muitos documentos apresentando rasuras e erros técnicos.
Essas falhas geraram acusações de que a procuradora estaria tentando ganhar tempo, ou mesmo proteger nomes envolvidos no escândalo, o que ampliou a insatisfação política em torno da sua gestão.
Dossiês, histórico de buscas e acusação de espionagem
Durante depoimento ao Congresso, Bondi foi fotografada manuseando um dossiê que continha um documento intitulado “histórico de buscas de Pramila Jayapal”, com números de arquivos acessados pela deputada. A imagem provocou críticas e acusações de espionagem do Departamento de Justiça contra membros do Congresso.
Deputados de ambos os partidos pediram acesso privilegiado aos documentos no fim de janeiro, e criticaram que as versões apresentadas ainda vinham com tarjas, alimentando suspeitas de acobertamento pelo governo.
Demissão em meio a frustração presidencial
Segundo relatos da agência Reuters, a demissão foi comunicada em meio à frustração do presidente Donald Trump com o desempenho de Bondi, incluindo a condução dos processos relacionados a Epstein, e a lentidão em processar críticos e adversários que Trump desejava ver enquadrados criminalmente.
A saída marca o fim de um período conturbado, em que promessas de transparência se chocaram com problemas técnicos, controvérsias sobre proteção de nomes e tensões políticas que culminaram na decisão de tirar Bondi do cargo.