Apuração sobre a condução da divulgação, a promessa inicial de ‘a lista’ e a resistência do Departamento de Justiça, geraram críticas que culminaram na saída de Pam Bondi
Pam Bondi foi retirada do cargo de procuradora-geral dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 2, em decisão comunicada pelo presidente, Donald Trump.
O mandato de Bondi ficou marcado por promessas de transparência sobre os arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, e por um recuo que irritou aliados e adversários em igual medida.
Ao mesmo tempo, a forma como os documentos foram liberados, com muitas rasuras e problemas técnicos, alimentou acusações de manobra para atrasar ou proteger nomes citados, conforme informação divulgada pelo g1.
Promessa de “a lista” e o recuo sobre a divulgação
Logo ao assumir, Pam Bondi afirmou ter, em suas mãos, “a lista” de nomes ligados ao caso Jeffrey Epstein, e prometeu uma divulgação rápida e completa, o que elevou a expectativa entre apoiadores de Trump e no público.
Pouco depois, o Departamento de Justiça passou a alegar que os arquivos eram complexos, e que a divulgação imediata poderia prejudicar investigações em curso, argumento usado para postergar entregas e limitar o acesso a versões completas dos dossiês.
Lei que obrigou a liberação e a entrega problemática
Somente após a aprovação de uma medida específica, a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, o governo foi obrigado a soltar milhões de páginas que estavam retidas.
Mesmo com a lei, a divulgação ocorreu de forma gradual, e a pasta sob comando de Bondi entregou documentos com muitas tarjas e erros técnicos, o que intensificou as suspeitas de que a demora e as falhas tinham objetivo de ganhar tempo ou proteger envolvidos.
Audiência no Congresso e a foto do “histórico de buscas”
Durante uma audiência do Comitê Judiciário da Câmara em 11 de fevereiro de 2026, Pam Bondi enfrentou momentos tensos com deputados, e foi fotografada manuseando um dossiê em que constava o título “histórico de buscas de Pramila Jayapal” e números de arquivos acessados pela deputada.
O episódio levou Jayapal e outros parlamentares a acusarem o Departamento de Justiça de espionagem, e reforçou reclamações de que as versões disponibilizadas aos congressistas ainda vinham com tarjas, o que foi interpretado como tentativa de acobertamento.
Frustração da administração e motivos para a demissão
Segundo a cobertura, a decisão de demitir Bondi foi comunicada em meio a crescente frustração de Trump com o desempenho da procuradora, especialmente sobre a condução das investigações relacionadas a Epstein, e pela lentidão em processar críticos e adversários que o presidente desejava ver responsabilizados criminalmente.
Críticos afirmam que as combinações de promessas não cumpridas, entregas técnicas falhas e a exposição de dossiês contribuíram para o desgaste político de Bondi, e para a percepção, entre opositores e parte do público, de que a gestão buscou proteger interesses específicos.
No cenário imediato, a saída de Pam Bondi abre espaço para uma nova nomeação e reavaliações internas sobre como o Departamento de Justiça vai lidar com os volumes de documentos e com as pressões políticas que cercam o caso Epstein.