ONU adia votação sobre uso da força no Estreito de Ormuz enquanto diplomatas tentam driblar veto de China e Rússia

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Votação sobre o Estreito de Ormuz, marcada para sexta e depois sábado, foi postergada para a semana que vem enquanto negociam texto para conquistar apoio de membros com poder de veto

A votação proposta pelo Bahrein para autorizar o uso da força no Estreito de Ormuz foi adiada para a semana que vem, em uma tentativa de obter apoio de países com poder de veto.

Diplomatas trabalham em mudanças no esboço da resolução, incluindo a retirada de uma referência à aplicação obrigatória, para atrair o apoio da China e da Rússia, que já indicaram oposição.

Os Estados Unidos e países do Golfo dizem que votarão a favor, enquanto o Irã criticou a iniciativa, e alertou para risco de escalada na região, conforme informação divulgada pelo g1.

Motivo do adiamento e negociações no Conselho

A votação ocorreria inicialmente na sexta-feira, dia 3, e depois foi remarcada para sábado, dia 4, mas diplomatas decidiram postergar para a semana seguinte em busca de um texto que atraia os membros permanentes do Conselho de Segurança.

O Bahrein, atual presidente do Conselho e autor da proposta, já removeu do projeto uma referência à aplicação obrigatória, e o esboço final passa a autorizar o uso da força, entre aspas, “por um período de pelo menos seis meses (…) e até que o Conselho decida de outra forma”.

Posições de China, Rússia, Estados Unidos e países do Golfo

A China, que tem assento permanente e poder de veto, já declarou ser contra qualquer autorização do uso da força, embora mantenha postura neutra no conflito, e historicamente apresente alinhamento pragmático com o Irã.

A Rússia também sinalizou oposição, assim como a França, enquanto os Estados Unidos e os países do Golfo afirmaram que votarão a favor da resolução proposta pelo Bahrein.

Repercussão do Irã e riscos de escalada

O Irã criticou a proposta antes mesmo da votação, por meio do chanceler Abbas Araghchi, que afirmou, traduzido para o português, “Qualquer ação provocativa por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, em relação à situação no Estreito de Ormuz, só irá complicar ainda mais a situação”.

Autoridades do Bahrein, alvo de ataques que atribuem ao Irã, pediram união no Conselho, com o chanceler Abdullatif bin Rashid Al Zayani solicitando uma “posição unificada deste estimado conselho”.

Importância estratégica do Estreito e impacto econômico

O Estreito de Ormuz é um corredor vital para o tráfego de petróleo global, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, proveniente de países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar.

A escalada de ataques e a presença de minas navais na região elevaram preços do petróleo, com o barril chegando a US$ 109 em 2 de maio, ampliando preocupações sobre impacto econômico global.

Com a votação adiada, diplomatas ainda tentarão costurar um consenso que evite vetos e reduza riscos de uma resposta militar mais ampla no Golfo, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos no Estreito de Ormuz.

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