Número de mortos no Oriente Médio pode passar de 5 mil, número de mortos por país detalhado, deslocamento de mais de 4 milhões e impacto no Irã e Líbano

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Levantamento do número de mortos no Oriente Médio aponta 3.527 no Irã, 1.345 no Líbano, danos a escolas e hospitais, e deslocamento de milhões de pessoas

O conflito em curso no Oriente Médio já deixa um cenário de perdas humanas e destruição que pode elevar o número de mortos no Oriente Médio para além de 5 mil. A contagem reúne vítimas em mais de dez países, com o maior número registrado no Irã e no Líbano.

Além das fatalidades, a guerra provocou o deslocamento de mais de 4 milhões de pessoas, e danos significativos a infraestrutura de saúde e educação, complicando ainda mais a resposta humanitária.

As informações a seguir reúnem dados oficiais e levantamentos de organizações, com destaque para estatísticas sobre mortos, feridos, infraestrutura danificada e deslocados, conforme informação divulgada pelo g1.

Irã

No Irã, o grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, informou que 3.527 pessoas foram mortas desde o início da guerra. Segundo o grupo, 1.606 eram civis, incluindo pelo menos 244 crianças.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho afirmou que pelo menos 1.900 pessoas foram mortas e 20.000 ficaram feridas no Irã nos ataques dos EUA e de Israel até agora, segundo levantamentos divulgados à imprensa.

Há ainda incertezas sobre alguns incidentes, como os pelo menos 104 mortos que, segundo os militares iranianos, morreram em um ataque dos EUA a um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka em 4 de março.

Relatórios conjuntos da HRANA, do Centro para Civis em Conflito, e da Airwars documentaram danos a 60 hospitais ou centros médicos, 44 escolas e 129 edifícios residenciais, e estimativas do governo iraniano indicam que mais de 16 mil casas foram afetadas.

Em termos de deslocamento, a ONU estima que 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas no país desde o início da guerra.

Um dos episódios mais ofensivos no Irã foi o bombardeio da escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, em 28 de fevereiro, quando, segundo a rede humanitária Crescente Vermelho iraniano, 175 pessoas morreram. O embaixador do Irã na ONU, em Genebra, afirmou que 150 das vítimas eram crianças.

Mídia estatal publicou uma lista com 56 nomes e fotos das vítimas da escola de Minab, e a BBC registrou que 48 eram crianças entre 6 e 11 anos. A imagem do menino Mikaeil Mirdoraghi, aluno da escola, tornou-se símbolo do ataque.

Líbano e fronteira com Israel

No Líbano, autoridades informam que 1.345 pessoas foram mortas em ataques israelenses desde 2 de março, incluindo pelo menos 124 crianças.

O conflito forçou mais de 1,2 milhão de pessoas a se deslocarem internamente, o que representa cerca de um quinto da população do país, e aproximadamente 135 mil delas estão em 636 abrigos coletivos.

A Agência da ONU para Refugiados, ACNUR, descreveu a situação no Líbano como “uma profunda crise humanitária”, e alertou para o risco de uma catástrofe regional caso o fluxo de violência não seja contido.

Do ponto de vista militar, o exército libanês informou que pelo menos nove soldados foram mortos, a maioria no sul do país. Em dois incidentes separadas no sul, três soldados de paz das Nações Unidas da Indonésia também foram mortos.

Fontes citadas pela Reuters indicam que mais de 400 integrantes do Hezbollah foram mortos desde que o grupo iniciou ataques contra Israel em 2 de março, embora não esteja claro se esses números estão incluídos nas contagens oficiais libanesas.

Outros países com vítimas registradas

No Iraque, autoridades de saúde registraram pelo menos 108 mortes desde o início do conflito, entre civis, membros de grupos xiitas ligados ao Irã, combatentes curdos aliados dos EUA, policiais e militares. Um tripulante estrangeiro também morreu em ataque a petroleiros perto de um porto iraquiano.

Em Israel, serviços de ambulância reportaram 19 mortos devido a ataques com mísseis do Irã e do Líbano, e as forças militares informaram a morte de 10 soldados no sul do Líbano. Em 22 de março houve ainda a morte acidental de um agricultor israelense por disparo das próprias forças.

Os Estados Unidos registraram 13 militares mortos, com o Exército americano confirmando que 6 tiveram suas mortes confirmadas após a queda de uma aeronave militar americana no Iraque, e outros 7 morreram em combate durante operações contra o Irã. Doze soldados americanos ficaram feridos em um ataque iraniano à Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, segundo relatos oficiais.

Os Emirados Árabes Unidos reportaram 11 mortos em ataques iranianos, incluindo dois soldados do exército. No Catar, sete pessoas morreram em 22 de março em um acidente de helicóptero em águas territoriais do país, após uma falha técnica em uma missão de rotina.

Autoridades do Kuwait informaram ao menos 7 mortes, incluindo civis e membros das forças de segurança. Na Cisjordânia ocupada, quatro mulheres palestinas foram mortas em um ataque com mísseis iranianos, segundo agências. Na Síria, quatro pessoas morreram quando um míssil iraniano atingiu um prédio em Sweida.

Omã registrou três mortes, duas em ataque com drone na província de Sohar, marcando as primeiras fatalidades dentro do país, e uma terceira quando um projétil atingiu um navio-tanque na costa de Mascate. No Bahrein, três pessoas morreram em ataques atribuídos ao Irã, em incidentes distintos.

Na Arábia Saudita, duas pessoas morreram após a queda de um projétil em área residencial na cidade de Al-Kharj. A França informou a morte de um soldado e o ferimento de outros seis após um ataque com drone no norte do Iraque.

Impacto humanitário, deslocamento e perspectivas

O quadro humanitário é marcado não só pelo número de mortos, mas também pelo deslocamento em massa, pela destruição de infraestrutura básica e pela sobrecarga dos serviços de saúde. Mais de 4 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas na região, segundo levantamentos compilados.

Organizações humanitárias avisam para o risco de agravamento da crise, com falta de acesso a abrigo, água potável e atendimento médico, e com a chegada de grandes números de deslocados a áreas já fragilizadas.

Enquanto as contagens continuam a ser atualizadas, o número de mortos no Oriente Médio deve permanecer no centro das avaliações, e a prioridade para autoridades e organizações humanitárias será proteger civis, abrir corredores para ajuda e documentar danos e vítimas para responder à emergência.

As cifras e relatos apresentados aqui foram compilados a partir de dados e reportagens citadas, conforme informação divulgada pelo g1.

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