Mostra Des-Captura destaca corpos negros na dança contemporânea no Fringe do Festival de Curitiba 2026

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Programação da mostra Des-Captura no Festival de Curitiba amplia visibilidade da criação negra na dança com solos potentes de resistência e expressão

A Mostra Des-Captura – Solos Negros de Dança marca presença na 34ª edição do Festival de Curitiba com uma proposta que une estética e política ao reunir artistas negros que discutem memória, ancestralidade e resistência corporal. A iniciativa acontece na Casa Hoffmann até 12 de abril, integrando o Fringe do Festival com quatro espetáculos que ampliam as narrativas negras na dança contemporânea.

O conceito que embasa a mostra é a marronagem, entendida como fuga e resistência das pessoas escravizadas, inspirada no pensamento do intelectual Dénètem Touam Bona. A mostra propõe a “des-captura” das estruturas que historicamente limitaram os corpos e as histórias negras, criando espaços de expressão e inventividade. Além dos espetáculos, ocorre uma ação gratuita para troca entre artistas e público.

Confira os destaques e detalhes da programação que aborda temas fundamentais como identidade, espiritualidade e estratégias de sobrevivência, promovendo uma reflexão sobre o corpo negro e suas poéticas no contexto contemporâneo.

Espetáculos que retomam histórias a partir do corpo

O solo “Marimbondo”, de André Oliveira, investiga o corpo como território de resistência e ancestralidade, misturando dança contemporânea com elementos da cultura afro-brasileira. A obra nasceu da pesquisa sobre a marronagem, oferecendo uma experiência que dialoga com história e invenção.

Priscilla Pontes apresenta “Chão de Dentro”, uma narrativa íntima construída a partir de gestos, objetos e canções próprias, que traz uma dança sensível sobre afetos, feminilidade e pertencimento, reverberando as memórias guardadas no corpo.

Laremi Paixão traz para a cena “Aquela Que É Consolada Com Honra”, trabalho que explora a ancestralidade com o uso de objetos simbólicos e movimentos corporais ligados à tradição afro-orientada, promovendo um diálogo entre saberes ancestrais e contemporâneos.

Finalizando a programação, o solo “O Manual Prático do Jovem Malandro”, de Jorge Samuel, conecta dança, música e poesia para refletir sobre a malandragem como estratégia cultural e de sobrevivência, atravessando gerações e reforçando a potência da expressão negra nas artes.

Ações formativas e acesso facilitado

Entre as atividades da mostra, destaca-se o encontro gratuito “Corpo Negro em Cena: Poéticas e Futuro”, que reúne artistas e público para debates sobre processos criativos e ancestralidade na dança negra contemporânea. O evento acontece no dia 10 de abril, às 10h, também na Casa Hoffmann.

A Casa Hoffmann fica na Rua Dr. Claudino dos Santos, 58, no bairro São Francisco. Os ingressos para os espetáculos variam entre R$20 e R$80, com opções promocionais para estudantes e profissionais de teatro. Informações e vendas estão disponíveis no site oficial do Festival e na bilheteria física no Shopping Mueller.

Importância da Mostra Des-Captura no cenário artístico

A Mostra Des-Captura reforça a visibilidade da criação negra na programação do Festival de Curitiba ao valorizar corpos e histórias negras como fonte de conhecimento, resistência e transformação na dança contemporânea. Combinando ancestralidade, autobiografia e estética, a iniciativa evidencia a força política e cultural que permeia cada apresentação.

Este espaço proporciona uma experiência estética que ultrapassa a performance, abrindo caminhos para novas formas de pensar o movimento, a memória e as possibilidades de expressão da diáspora africana no Brasil. Assim, o Festival cumpre papel fundamental para o fortalecimento das artes negras e democratização do acesso cultural.

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