Ministros do Supremo intensificam esforço por Jorge Messias no STF para preencher vaga deixada por Barroso, enquanto no Senado cresce a preocupação com risco político e eleitoral
Ministros do Supremo Tribunal Federal têm atuado nos bastidores para viabilizar a aprovação de Jorge Messias no STF, indicado pelo presidente da República para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.
O movimento dentro da Corte busca reduzir incertezas no período pré-eleitoral, por medo de que a cadeira vaga fragilize o funcionamento do tribunal e amplifique riscos institucionais.
No Congresso, a leitura é mais cautelosa, com aliados de Davi Alcolumbre avaliando que a indicação pode enfrentar resistência organizada pela oposição, conforme informação divulgada pelo g1.
Articulação interna e apoios apontados
Dentro do Supremo, ministros consideram preferível aprovar um nome agora, indicado pelo chefe do Executivo, a correr o risco de uma derrota em cenário pós-eleitoral. A avaliação reservada é de que o debate que favoreceu outro candidato foi superado, e que há esforço para fechar apoio.
Interlocutores do Planalto e aliados do advogado-geral da União afirmam que Messias já teria sinal verde de partidos como PSD e MDB, informação que reforça a tentativa de consolidar maioria antes da sabatina.
Cenário e postura no Senado
No Congresso, a dinâmica é distinta, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, evitando assumir compromisso de apoio. Segundo relatos, ele conversou com o presidente por telefone há cerca de 15 dias, mas sinalizou neutralidade, em postura descrita por interlocutores como “lavar as mãos”.
Há também menção à relação pessoal entre ambos, porque “Alcolumbre gosta de Lula, e Lula gosta dele“, mas esse entendimento não se traduziu em apoio declarado diante do ambiente político tenso.
Oposição organizada e riscos eleitorais
A oposição é vista como altamente organizada, com destaque para a atuação do senador Flávio Bolsonaro, que tem sido apontado como vetor de mobilização dentro e fora do Congresso. Nos bastidores, senadores discutem a possibilidade de impor uma derrota ao governo, movimento que poderia ter impacto eleitoral.
Ministros e aliados do Planalto temem que pautas envolvendo o Supremo tenham forte ressonância na opinião pública e se reflitam nas urnas, aumentando o risco político para a presidência.
Próximos passos e exigência formal
Para avançar, a indicação ainda precisa de etapas formais, e para ser nomeado ministro do Supremo, Messias precisa passar uma sabatina no Senado e ter a sua candidatura aprovada em votação no plenário. O governo busca garantir o processo antes do período eleitoral, mas enfrenta incertezas políticas e estratégias de oposição.
Com a cadeira vaga, a preocupação sobre o funcionamento do Supremo persiste, e o calendário político e institucional deve ditar o ritmo das negociações e votações nas próximas semanas.
