Relatos sobre crianças em postos de controle no Irã mostram adolescentes armados em patrulhas em Teerã, Karaj e Rasht, após morte de menino de 11 anos
A morte de um menino de 11 anos que auxiliava um posto de controle em Teerã reacendeu denúncias sobre o uso de crianças em postos de controle no Irã e uma campanha de recrutamento para funções de segurança, com relatos de menores armados em várias cidades.
Testemunhas disseram ter visto adolescentes em patrulhas nas ruas da capital e em cidades vizinhas, em praças e em postos de revista, por vezes cobrindo rostos e operando equipamentos de controle, o que aumenta o temor entre moradores.
As informações foram relatadas à imprensa por testemunhas e organizações internacionais, conforme informação divulgada pela BBC.
Recrutamento e anúncio oficial
Familiares identificaram a vítima como Alireza Jafari, de 11 anos, e a mãe, Sadaf Monfared, disse que ele e o pai auxiliavam patrulhas da milícia Basij quando foram mortos em 11 de março.
Um integrante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou à agência Fars News que a organização passaria a recrutar voluntários com 12 anos ou mais, no âmbito de um novo programa denominado Combatentes Defensores da Pátria do Irã, com atribuições que incluem patrulhas e postos de controle.
A milícia Basij, controlada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, tem cerca de um milhão de integrantes e costuma ser mobilizada para operações de rua e repressão de dissidência, e fontes locais relatam que vários postos de controle da Basij foram alvo de ataques recentes.
Relatos de testemunhas em Teerã, Karaj e Rasht
Quatro testemunhas ouvidas pela imprensa, com nomes alterados por segurança, descreveram menores em diferentes funções de segurança. Golnaz, moradora do leste de Teerã, relatou ter visto adolescentes armados após um ataque aéreo em 9 de março.
Sara, na zona oeste de Teerã, disse que em 25 de março observou um adolescente apontando arma para carros e participando de revistas a veículos, ele era baixo e franzino, conforme seu relato.
Em Karaj, Peyman contou ter visto em 30 de março um garoto adolescente com um fuzil Kalashnikov, acrescentando que seu bigode ainda não havia crescido completamente. Em Rasht, Tina disse ter visto jovens mascarados em serviço numa praça em 14 de março, crianças aparentes pelos olhos e estatura, alinhadas à frente de forças adultas.
Críticas de organizações e especialistas
A Human Rights Watch afirmou que se trata de uma grave violação dos direitos das crianças e um crime de guerra quando os menores têm menos de 15 anos, e alertou para os riscos de recrutar menores para funções de segurança.
Bill Van Esveld, da Human Rights Watch, disse que Não há desculpa para uma campanha de recrutamento militar que mira crianças, muito menos jovens de 12 anos, e que No fim das contas, isso mostra que as autoridades iranianas aparentemente estão dispostas a colocar em risco a vida de crianças para obter mais mão de obra.
Pegah Banihashemi, especialista em direito constitucional e direitos humanos, afirmou que Pelo direito internacional, o uso de crianças em funções de segurança ou militares é fortemente restrito e, em muitos contextos, ilegal, e que menores sem treinamento podem aumentar o risco de violência e colocar civis em perigo.
Holly Dagres, especialista em Irã, avaliou que o uso de crianças em postos de controle evidencia o desespero da República Islâmica, e que isso demonstra o quanto o regime é impopular entre sua própria população, a ponto de ter dificuldade para recrutar adultos para essas funções.
Verificação e consequências
Sobre a morte de Alireza, o jornal local afirmou que ele teria sido atingido por um ataque de drone atribuído a Israel. As Forças de Defesa de Israel disseram não terem sido capazes de verificar o caso sem receber as coordenadas do suposto ataque.
Direitos humanos e especialistas alertam que, além da ilegalidade potencial segundo normas internacionais, a presença de crianças em postos de controle no Irã pode aumentar riscos para civis e para os próprios menores, criando um ciclo de maior violência e vulnerabilidade.