Filhote da maior águia do planeta morre após cair do ninho no Pantanal, vídeo de câmera mostra queda e rotina dos adultos no Maciço do Urucum

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Monitoramento em Corumbá acompanhou filhote nascido em janeiro, queda entre galhos impediu retorno ao ninho, especialistas explicam ausência de resgate e futuro do casal

Um filhote da harpia, considerada a maior águia do planeta, morreu após cair do ninho no Pantanal, segundo imagens de monitoramento registradas na região do Maciço do Urucum, em Corumbá.

O flagrante foi feito por uma câmera do projeto Planeta Aves, que acompanha o casal de harpias há meses, e mostra o filhote preso entre galhos, sem conseguir retornar à plataforma do ninho.

A ocorrência reacende debate sobre comportamento de aves de rapina, manejo e conservação no bioma, e traz dados sobre o acompanhamento do casal e o contexto da descoberta do ninho, conforme informação divulgada pelo g1

O que as imagens mostram

As imagens captadas pelo projeto registram a rotina da família, com os adultos alternando voos para buscar alimento e cuidar do filhote. Segundo William, nos primeiros dias de março, o filhote ficou preso entre galhos e não conseguiu retornar ao ninho.

Mesmo com a presença constante dos pais nas proximidades, não houve tentativa de resgate, um comportamento considerado natural entre aves de rapina. Sem conseguir se recuperar, o animal acabou morrendo.

O flagrante foi feito por uma câmera do projeto Planeta Aves, que acompanha o casal de harpias há meses em Corumbá, e mostra a sequência dos acontecimentos desde a queda até os movimentos finais da família.

Sobre o episódio, o projeto publicou uma nota explicativa, dizendo, “Compartilhamos aqui uma atualização importante sobre o ninho de harpia monitorado no Pantanal, onde o filhote não superou o primeiro grande desafio da vida. São processos naturais que, embora difíceis, fazem parte da dinâmica da vida selvagem.”

Nascimento e monitoramento do ninho

O filhote nasceu no início de janeiro de 2026, no Maciço do Urucum, em Corumbá. A estimativa do especialista é que o nascimento tenha ocorrido na primeira quinzena de janeiro.

O ninho foi localizado durante uma atividade de turismo de observação de aves e vida selvagem, realizada pela empresa Icterus Ecoturismo. A partir daí, teve início o monitoramento contínuo da espécie, em parceria com o projeto Planeta Aves.

Pesquisadores buscavam um ponto de reprodução da harpia no Pantanal havia mais de dez anos. O primeiro registro da espécie na região ocorreu em 2012, e a descoberta do ninho ativo, confirmada em 2025, representou um avanço importante para os estudos sobre a reprodução da espécie no bioma.

Biologia da harpia e riscos de conservação

A harpia, também chamada de gavião-real, é considerada a maior águia do mundo, podendo atingir até 2,20 metros de envergadura, e possui garras fortes, usadas para capturar presas de médio porte.

O cuidado com os filhotes costuma durar longos períodos. Nos primeiros 60 dias, a mãe permanece quase todo o tempo no ninho. Depois desse período, passa a sair para caçar junto com o macho, retornando com menos frequência.

Segundo o monitoramento, filhotes podem permanecer sob cuidados dos pais por até dois anos e meio, dependendo do sexo. Apesar da imponência, a espécie enfrenta ameaças. A harpia é classificada como “quase ameaçada” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e como “ameaçada” na lista estadual de Mato Grosso do Sul.

Entre os principais riscos estão a perda de habitat natural e a caça ilegal, fatores que tornam cada registro de reprodução no Pantanal relevante para pesquisadores e conservacionistas.

O comportamento dos adultos após a perda e o que esperar

Mesmo após o incidente, o casal continuou frequentando o ninho e levando folhas verdes para a estrutura. Esse comportamento pode indicar manutenção do vínculo entre as aves e até uma possível tentativa futura de reprodução.

Nas redes sociais, o projeto Planeta Aves explicou que situações como essa fazem parte da dinâmica natural da vida selvagem, e destacou a importância do monitoramento para entender padrões reprodutivos e orientações de conservação.

O episódio mostra, em imagens, a fragilidade dos filhotes nas primeiras semanas, e reforça a necessidade de proteção dos habitats onde vivem as harpias, para reduzir riscos e ampliar chances de sucesso reprodutivo no Pantanal.

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