Equipe em três turnos, simulações com múltiplas falhas, e a decisão da injeção translunar, tudo pensado para garantir o retorno seguro da Artemis 2 e da tripulação
A sala de controle do Centro Christopher C. Kraft, Jr., em Houston, é o ponto central da operação que acompanhará a missão humana até além da Lua.
Controladores em três turnos vão monitorar trajetória, propulsão, telemetria biomédica e comunicar-se com a tripulação durante toda a missão.
Programada atualmente para lançamento em abril de 2026, a Artemis 2 terá uma decisão crítica dois dias após o lançamento, quando será avaliado se a Orion seguirá para a Lua, conforme informação divulgada pelo g1.
A sala onde tudo acontece
O conceito criado por Chris Kraft, com um diretor de voo reunindo todas as equipes num único espaço, permanece no centro da operação. A estrutura física remete aos anos 1960, mas a tecnologia é moderna, com telas sensíveis ao toque e comunicações digitais.
A identificação das mesas, porém, manteve nomes históricos, como o Eecom, responsável pelo suporte à vida. O ambiente também mudou, com proibição de fumo e foco em diversidade entre os controladores.
Segundo a reportagem, a equipe de Houston terá a tarefa de manter a nave na rota e trazer a tripulação de volta em segurança, 10 dias depois do lançamento.
Quem comanda, quem apoia e o papel dos especialistas
No centro do trabalho está o diretor de voo, que detém a autoridade final em decisões rápidas, como explicou um dos diretores de voo, citando que, “O principal é que você tem um diretor de voo no console e aquela pessoa detém a autoridade final para tomar qualquer decisão rápida”.
As comunicações com a tripulação passam por um comunicador de cápsula, o capcom, seguindo tradições dos primeiros voos. Em paralelo, a Sala de Avaliação da Missão Orion, a Mer, monitora em detalhe o desempenho da espaçonave e lidera a resolução de problemas.
A Mer é formada pelos engenheiros que projetaram e construíram a Orion, incluindo um grupo europeu responsável pelo módulo de serviço, fornecido pela Agência Espacial Europeia, e construído pela Airbus, na Alemanha.
Simulações, previsões de falhas e preparação
Os controladores e engenheiros passam meses simulando cenários de contingência. A meta é forçar muitos problemas em curto espaço de tempo para treinar respostas, segundo um dos diretores: “Nosso objetivo é fazer uma simulação com 10 coisas se quebrando em três horas”, e assim chegar preparados aos voos reais.
O histórico dos voos mostra que quase todas as missões tripuladas tiveram anomalias e que treinamentos salvaram missões, como no caso da Apollo 13, que popularizou a frase “o fracasso não é uma opção” no contexto do controle de missão.
Antes de decidir pela injeção translunar, a equipe avalia se a Orion está pronta para sustentar a tripulação por até 10 dias, lembrando que, “É a chamada injeção translunar”, e, depois da decisão, há poucas maneiras rápidas de voltar para casa.
Retorno à Terra, riscos e pontos sensíveis
Durante a aproximação final, a cápsula reentrará na atmosfera a cerca de 40.200 km/h, enfrentando temperaturas de mais de 2000 °C, momentos considerados entre os mais perigosos da missão.
A experiência da Artemis 1, que retornou com danos no escudo térmico em 2022, levou a revisões e atrasos para garantir que a Orion e a tripulação regressem em segurança.
A experiência de veteranos do controle, que vivenciaram acidentes como o do ônibus espacial Columbia em 2003, reforça a responsabilidade das equipes em Houston, ressaltando que o trabalho no prédio e nas salas de controle tem uma importância imensa para a segurança da tripulação.
Ao longo da missão, haverá um período de cerca de 40 minutos de perda de contato quando a cápsula passar por trás da Lua, um momento que a tripulação deve usar para observação, fotos e registros pessoais, enquanto os controladores acompanham com atenção os dados de telemetria que voltam a chegar.
