Trump afirma que as Forças Armadas dos EUA vão sair do Irã ‘muito rapidamente’, que pode haver retorno com ‘ataques pontuais’, e que cessar-fogo depende da abertura do Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças norte-americanas devem deixar o Irã “muito rapidamente”, sem informar uma data precisa para a retirada.
Ele disse também que os EUA poderiam retornar para realizar “ataques pontuais”, se necessário, e condicionou qualquer aceitação de cessar-fogo à reabertura do Estreito de Ormuz, via estratégica para o comércio de petróleo.
As declarações foram dadas em entrevista à Reuters, e sobre a proposta de cessar-fogo o Irã não se manifestou publicamente até a última atualização desta reportagem, conforme informação divulgada pelo g1.
O que Trump disse à Reuters e em rede social
Em entrevista telefônica à Reuters, Trump repetiu que as tropas americanas “devem deixar o Irã muito rapidamente” e não informou um cronograma. Ele afirmou haver chance de acordo com o que chamou de “novo regime” no Irã, dizendo, “Houve uma mudança completa de regime”, e que, por isso, há uma “chance muito boa de chegarmos a um acordo”.
O presidente também declarou que os Estados Unidos impediram que o Irã conseguisse armas nucleares, afirmando, “Eles não terão uma arma nuclear porque são incapazes disso agora”. Sobre o urânio enriquecido que permanece no país, disse, “Está tão fundo no subsolo que não me importo com isso”, e acrescentou que “Sempre estaremos acompanhando por satélite”.
No Truth Social, plataforma utilizada por Trump, ele publicou que o “presidente do novo regime do Irã, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que seus antecessores, acaba de pedir um CESSAR-FOGO aos Estados Unidos da América! Vamos considerar [a proposta] quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos bombardeando o Irã até sua completa destruição ou, como se diz, de volta à Idade da Pedra!!!” Essa publicação foi traduzida para o português a partir do texto divulgado por Trump.
Cessar-fogo, Estreito de Ormuz e posições conflitantes
Trump afirmou mais cedo que o Irã teria pedido um cessar-fogo na guerra, que está no segundo mês, mas Teerã negou publicamente ter feito tal pedido, segundo declarações à Al Jazeera. Autoridades iranianas também têm rejeitado negociações diretas com os EUA e, na semana anterior, recusaram uma proposta de cessar-fogo de Washington, apresentando uma contraproposta à qual o governo Trump não respondeu.
Ao condicionar o fim do conflito à abertura do Estreito de Ormuz, Trump reforça que a via marítima precisa estar “aberta, livre e desobstruída” para considerar a proposta iraniana. O Estreito foi fechado pelo Irã no início da guerra, e sua reabertura é vista pelos EUA como um passo central para a normalização das rotas comerciais.
Relações com a Otan e riscos de escalada
Na conversa com a Reuters, Trump criticou a Otan por considerar que a aliança não tem apoiado o objetivo dos EUA no Irã, afirmando, “Eles não foram nossos amigos quando precisamos deles”, e “Nunca pedimos muito a eles, é uma via de mão única”. Mais tarde, ele disse que considera, “seriamente”, retirar os EUA da aliança militar.
Apesar de falar em retirada das tropas em poucas semanas, Trump tem mantido tom beligerante, ameaçando destruir infraestrutura iraniana caso não haja acordo, e acumulando forças no Oriente Médio com vistas a possíveis operações terrestres. Ele estimou que o conflito pode durar “mais duas ou três semanas” e disse também que não precisa necessariamente de um acordo de cessar-fogo para encerrar a guerra.
Cenário e próximos passos
O panorama é de incerteza, com declarações contraditórias que alternam sinais de possível acordo e ameaças de escalada militar. Do lado iraniano, não houve confirmação pública da proposta de cessar-fogo mencionada por Trump.
Enquanto isso, analistas e aliados observam a pressão de Washington sobre parceiros da Otan para apoio logístico e naval, em especial para reabrir o Estreito de Ormuz, e acompanham a movimentação de forças americanas na região, além de possíveis respostas iranianas a anúncios e ações dos EUA.
As próximas horas devem trazer mais posicionamentos oficiais e esclarecimentos sobre prazos e condições para uma retirada, sobre eventuais negociações indiretas e sobre a resposta do Irã às declarações norte-americanas.
