Presença militar dos EUA no Oriente Médio cresce, com 19 bases, envio de navio de assalto anfíbio e tropas adicionais, enquanto Washington diz negociar com o Irã
Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram o posicionamento de forças no Oriente Médio, com movimentações que combinam reforço militar e sinais de tentativa de negociação diplomática.
O aumento envolve tropas, navios e aviões, ações que alimentam especulação sobre uma possível operação terrestre, ao mesmo tempo que líderes americanos falam em busca de acordo para encerrar o conflito.
Hoje, há, conforme as apurações, mais de 50 mil soldados na região e uma estrutura ampliada de bases e meios, o que marca uma escalada na presença militar dos EUA no Oriente Médio, conforme informação divulgada pelo g1.
Como está o posicionamento e o efetivo
Os números mostram uma presença ampla, com destaque para a distribuição de instalações e militares. Os EUA mantêm 19 bases militares no Oriente Médio, 8 controladas diretamente pelo país e 11 com presença de tropas e equipamentos.
No início do ano, cerca de 40 mil militares estavam posicionados na região, e desde janeiro o país passou a enviar navios, aeronaves e soldados diante do aumento das tensões com o Irã.
Reforços recentes e capacidade logística
Após o início da guerra, novas mobilizações elevaram o efetivo, e a imprensa americana indica que hoje há mais de 50 mil soldados no Oriente Médio. Na semana passada, ao menos 5 mil militares chegaram ao Oriente Médio, 2.500 marinheiros e 2.500 fuzileiros navais, e dias antes outros 2 mil soldados já haviam desembarcado, incluindo paraquedistas.
Além de tropas, os Estados Unidos deslocaram para a região um navio de assalto anfíbio, usado no transporte de tropas, desembarque de blindados e apoio logístico. Segundo o The Wall Street Journal, o Pentágono avalia enviar mais 10 mil militares nos próximos dias.
Mesmo assim, o número ainda está abaixo do registrado no início da invasão do Iraque, em 2003, quando mais de 250 mil soldados participaram da ação, o que mostra que a escala atual, embora significativa, é inferior a outros conflitos anteriores.
Contradições na Casa Branca e riscos econômicos
As comunicações do governo americano têm sido contraditórias, com sinais de escalada militar ao mesmo tempo em que autoridades afirmam negociar. O presidente dos EUA afirmou em rede social que estava negociando o fim da guerra com o Irã, e que houve “grande progresso”.
Ao mesmo tempo, o presidente voltou a ameaçar ataques à infraestrutura de energia iraniana caso um acordo não seja alcançado, e já ampliou até 6 de abril o prazo de um ultimato. As duas partes disseram publicamente ter enviado propostas para encerrar o conflito, e Washington condiciona parte do acordo à reabertura do Estreito de Ormuz.
Relatos publicados apontam que o presidente também discutiu encerrar a guerra mesmo se o Estreito de Ormuz continuar fechado, dado que uma operação para reabrir completamente a rota poderia prolongar o conflito além do prazo desejado. O bloqueio do Estreito tem pressionado preços do petróleo e gerado impactos econômicos globais, o que também influencia decisões políticas e militares.
O que pode vir a seguir
Analistas apontam que os próximos passos dependem da combinação entre pressão militar e negociações, com opções que vão de ataques seletivos para reduzir capacidades navais e de mísseis iranianas, a esforços diplomáticos para forçar a reabertura de rotas comerciais.
Na prática, a presença militar dos EUA no Oriente Médio serve tanto para sustentar opções militares quanto para criar alavancas em negociações, e a região segue em alerta com a possibilidade de novos reforços e ações que podem alterar o rumo do conflito.