Detento restaura conversível raro dentro de presídio no RS, reforma Oldsmobile 1937 em oficina montada por convênio e recebe remissão de pena e salário

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Oficina instalada no Presídio Estadual de Arroio do Meio permite que detento restaure conversível raro, convênio emprega 45% dos presos e cria vagas para empresas na unidade

Um trabalho incomum está em andamento dentro de uma unidade prisional do Rio Grande do Sul, com implicações para a ressocialização e para a rotina do presídio.

Na oficina montada dentro do Presídio Estadual de Arroio do Meio, um apenado atua na reforma de um carro centenário, um Oldsmobile 1937 conversível, em benefício de um particular.

O dono do Oldsmobile é um dentista de Lajeado. Uma oficina foi montada na penitenciária especificamente para que o serviço seja realizado, conforme informação divulgada pelo g1.

Como foi criada a oficina e quem participa

A instalação da oficina ocorreu por meio de um termo de cooperação com o governo do Rio Grande do Sul, e a iniciativa integra um convênio que levou empresas a se instalarem dentro da casa prisional.

Segundo os dados do presídio, 45% dos detentos da casa prisional estão trabalhando. No total, são 74 presos – e 34 estão empregados, todos cumprindo pena em regime fechado.

Atualmente, além da oficina de restauração de carros, há uma empresa de calçados, uma empresa de confecção de sacolas e uma panificadora instaladas no local, e um pavilhão de trabalho está sendo construído para ampliar as vagas.

O trabalho do detento na restauração

O serviço no conversível tem caráter especializado e vem sendo executado por um apenado que ganhou espaço para desenvolver a atividade dentro da unidade.

Na descrição das ações, foi relatado que, “Ele mesmo [detento] fez a oficina com material que a gente utilizou na enchente. É um ofício bem específico, poucas pessoas fazem. Desde que chegou aqui, ele trabalha. Acredito que ele sai ainda neste ano com a progressão de regime.”

O processo inclui montagem de equipamentos e uso de técnicas próprias, e o veículo, por ser raro, exige atenção e mão de obra qualificada.

Benefícios para presos e impacto na rotina

O diretor da casa prisional, Antônio Thomé, destaca ganhos para a disciplina e para a reabilitação profissional dos detentos.

Conforme o relato do diretor, “As ocorrências diminuem bastante. Eles não ficam o tempo todo na cela. Eles focam no trabalho. Muitos daqui podem ser absorvidos pelo mercado de trabalho lá fora, porque aprenderam um novo ofício. Eles chegaram aqui sem muita habilidade, alguns são usuários de drogas, e acabam sendo absorvidos pelo mercado de trabalho lá fora”, explica o diretor da casa prisional, Antônio Thomé.

Além da remissão de pena e do recebimento de salário, que pode ser repassado às famílias ou usado na cantina, há regras financeiras específicas: “Além disso, 20% dos ganhos são destinados a um fundo, uma espécie de poupança, e o valor é repassado ao trabalhador quando ele obtém a liberdade.”

Segundo a direção, a ideia é ampliar o número de vagas e chegar a 90% dos apenados empregados, mantendo a parceria em que “a empresa traz o maquinário, a gente oferece a mão de obra”.

O carro e a expectativa de saída

O Oldsmobile 1937 conversível é descrito como uma unidade rara no país, e a restauração dentro do presídio é vista como prova de que atividades especializadas podem ser realizadas no ambiente prisional.

O caso reúne aspectos técnicos, sociais e administrativos, e, segundo os responsáveis, pode resultar na progressão de regime para o trabalhador, além de oferecer novas perspectivas de inserção no mercado após a saída, conforme informação divulgada pelo g1.

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