Operação do Gaeco e da Polícia Civil investiga uso de empresas de fachada, falsificação de assinaturas e títulos executivos para atacar a herança de Di Genio
A investigação apontou que um grupo criminoso criou uma dívida imobiliária fictícia para tentar se apropriar de parte da herança de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo.
O esquema, descrito pelos promotores como sofisticado, envolveu empresas de fachada, assinaturas forjadas e uma câmara arbitral que emitiu decisão simulada.
Ao todo, segundo as autoridades, foram feitas pelo menos três tentativas de habilitar o crédito fraudulento no inventário do fundador, tentando enganar herdeiros e a Justiça, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o golpe foi montado
Para dar aparente cobertura legal à cobrança, os investigados criaram duas pessoas jurídicas de fachada. A Colonizadora Planalto Paulista Ltda. foi usada para representar a suposta vendedora de 448 imóveis em Piraju, e serviu como base para cobranças judiciais e extrajudiciais.
Em paralelo, a câmara batizada de Câmara Arbitral Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda., referida como Fonamsp, funcionou como um simulacro de tribunal, usada para “fabricar” títulos executivos sem o crivo inicial da Justiça comum.
Documentos forjados e valores incluídos
Os promotores apontaram que foram forjados contratos datados de novembro de 2021, e que as assinaturas do próprio Di Genio e de seu procurador foram falsificadas por técnicas de decalque e montagem.
Também foi confeccionada uma nota promissória no valor de R$ 635 milhões, e, após atos processuais, o grupo atualizou o pedido de pagamento para R$ 845.873.009,65, tentando transformar a peça fraudulenta em título executivo judicial.
Tentativas de cobrança no inventário e uso da arbitragem
Após a morte de Di Genio, em fevereiro de 2022, os investigados notificaram o espólio exigindo o pagamento dos R$ 635 milhões, segundo a investigação do Gaeco.
Com a negativa do suposto procurador, que não reconheceu as assinaturas, o grupo buscou habilitar o crédito no processo de inventário. Houve uma reserva temporária de bens, mas a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça diante dos indícios de fraude.
Em nova manobra, a organização inseriu de forma fraudulenta uma cláusula de arbitragem em um termo aditivo forjado, falsificou a assinatura do porteiro para simular intimações, e uma integrante se passou por juíza arbitral para proferir sentença condenando o espólio.
Investigados, histórico e desdobramentos
Ao todo, nove pessoas são investigadas por crimes como estelionato, falsificação de documentos, fraude processual e organização criminosa, e foram alvo de mandados de busca e apreensão e de prisão.
O empresário Luiz Teixeira da Silva Junior é apontado como uma das lideranças e principal beneficiário econômico do esquema. Segundo os promotores, ele tem histórico de práticas relacionadas à falsificação de documentos.
O mesmo investigado já foi ligado a um caso anterior, envolvendo um laudo médico falso sobre uso de drogas contra o então candidato Guilherme Boulos nas eleições de 2024, e, segundo a reportagem, “foi condenado pela Justiça a pagar R$ 100 mil de indenização a Boulos”.
Até a última atualização da investigação, nenhum dos procurados havia sido preso, e a Polícia Civil e o Ministério Público permanecem em diligências para reunir provas e localizar os suspeitos.
