Viktor Orbán pode perder pela primeira vez em 16 anos, risco que ameaça modelo autoritário e fortalece a oposição pró-União Europeia

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Viktor Orbán intensifica campanha antes de 12 de abril, enfrenta Peter Magyar, pesquisas mostram 58% contra 35% e mudança de percepção pública no eleitorado

Viktor Orbán, no poder desde 2010, vê-se em uma das maiores ameaças à sua permanência, com a Hungria marcada para votar em 12 de abril.

Após 16 anos de governo e ampla influência sobre instituições e mídia, o primeiro-ministro tenta reverter pesquisas que colocam a oposição muito à frente.

Conforme informação divulgada pelo g1, as próximas linhas detalham por que a votação tem reflexos dentro e fora da Hungria, quais são as acusações contra o Fidesz e quem é o adversário que cresceu nas urnas.

Por que a eleição húngara importa além das fronteiras

Uma derrota de Viktor Orbán seria vista como um recado contra o modelo que críticos chamam de “democracia iliberal”, e teria impacto para partidos de direita na Europa e aliados internacionais.

Conforme a reportagem, Orbán contou com apoio tanto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto do líder da Rússia, Vladimir Putin, e é apontado como referência para grupos nacionalistas que buscam ganhar poder em outros países.

Especialistas citados indicam que a eleição é um referendo sobre esse modelo de governo, e uma vitória da oposição poderia dar força a uma recuperação das relações da Hungria com a União Europeia e a Otan.

Pesquisas, mudança de percepção e dados que preocupam o Fidesz

As pesquisas mais recentes mostraram vantagem expressiva para a oposição, com a mais recente apontando 58% contra 35% a favor do partido Tisza e de seu líder, Peter Magyar.

O pesquisador Endre Hann, da agência Median, afirmou, conforme a reportagem, “Podemos notar uma grande mudança na percepção pública”.

Hann também registrou que, “Em janeiro, 44% dos entrevistados disseram acreditar que o partido Fidesz, de Orbán, venceria. Já em março, o cenário se inverteu, e 47% passaram a crer que o Tisza, da oposição, triunfaria”.

Além disso, o apoio à narrativa pró-Rússia do governo parece cair, com dados que indicam que “52% dos entrevistados concordam que ‘a Rússia cometeu um ato grave e não provocado de agressão contra a Ucrânia'”, enquanto “Apenas 33% concordaram com a narrativa de que ‘a Rússia agiu legalmente, para defender seus interesses e segurança'”.

Acusações de compra de votos, clientelismo e mobilização rural

O Fidesz construiu, segundo a reportagem, um sistema de clientelismo nas áreas rurais, onde cerca de 4,5 milhões dos 8,2 milhões de eleitores vivem em pequenas cidades e vilarejos, redutos tradicionais do partido.

Relatos e um documentário investigativo mencionados pelo g1 apontam que prefeitos foram informados sobre quantos votos cada vila precisava garantir, e que incentivos incluíam pagamentos de € 120 (R$ 714 reais) por voto, vales-alimentação e até medicamentos em troca de apoio eleitoral.

O Fidesz nega irregularidades e diz que denúncias são tentativas de construir uma narrativa, enquanto analistas do governo sustentam que o fator decisivo será a capacidade do partido de mobilizar sua base no dia da votação.

A mensagem de campanha, o medo da guerra e as apostas de Orbán

Na campanha, Viktor Orbán tem centrado sua narrativa na escolha entre paz e guerra, afirmando que somente ele pode evitar que a União Europeia e a Otan arrastem a Hungria para um confronto contra a Rússia.

O partido governa dizendo que um voto na oposição poderia forçar a Hungria a participar de missões que colocariam jovens húngaros em risco, e liga a política de preços domésticos e energia ao fornecimento russo.

Para tentar retomar fielados, Orbán intensificou comícios e visitas em regiões rurais, atitude incomum após anos de liderança com campanha mais discreta.

Quem é Peter Magyar e por que cresceu tão rápido

Peter Magyar, de 45 anos, ex-integrante do Fidesz, deixou cargos estatais em 2024 e fundou o partido Tisza, surgindo como alternativa focada em questões internas como saúde, educação e despovoamento rural.

Magyar abandonou o tom formal inicial e passou a falar, segundo a reportagem, “de coração” em viagens ao interior, visitando múltiplas cidades por dia, enquanto Orbán costuma ir a uma por dia.

Seu discurso promete revisar contratos com a Rússia e “restaurar o assento da Hungria nas mesas da União Europeia e da Otan”, e sua agenda de proximidade conquistou jovens e eleitores cansados do estilo do Fidesz.

Se Magyar vencer, a pesquisa e a reportagem apontam que haverá uma longa agenda de reformas para recuperar independência de tribunais, do Ministério Público, do Tribunal de Contas, da mídia pública e de serviços de inteligência, tarefa que dependerá da margem de vitória.

Com a contagem regressiva para 12 de abril, a Hungria vive um momento que pode redefinir sua política interna e a posição do país no cenário europeu e global.

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