Com 69 anos, To Lam presidente Vietnã toma posse e assume ambos os cargos, anunciando prioridade à paz e estabilidade, metas econômicas ambiciosas e reforma burocrática
To Lam foi eleito por unanimidade pela Assembleia Nacional como presidente para um mandato de cinco anos, acumulando o comando do Partido Comunista e da presidência do país.
A decisão rompe com a prática recente de distribuir chefiarias entre diferentes líderes, e dá ao novo presidente espaço político ampliado para implementar sua agenda.
Ao tomar posse, To Lam afirmou que a prioridade é manter a paz e a estabilidade, que são a base para um crescimento rápido e sustentável.
Trajetória e perfil do novo presidente
To Lam tem 69 anos e construiu a carreira nos serviços de segurança, chegando a chefiar o Ministério da Segurança Pública antes de subir aos postos mais altos do poder.
Ele já havia exercido, de forma breve, ambos os cargos em 2024, quando ocupou a presidência interinamente após a morte do antecessor, e agora volta ao mesmo acúmulo de funções.
Como ex-chefe da segurança, liderou campanhas anticorrupção que fortaleceram sua imagem de gestor duro, e usou essa autoridade para promover mudanças administrativas profundas.
Agenda econômica e reformas propostas
Na posse, o presidente destacou, “Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida das pessoas para que todos possam compartilhar os benefícios do desenvolvimento“, sinalizando foco em bem-estar social e crescimento inclusivo.
Como líder do partido, Lam conduziu a maior reforma burocrática desde a década de 1980, cortando postos, fundindo ministérios e redesenhando fronteiras provinciais para modernizar a gestão pública.
O novo presidente tem priorizado o desempenho econômico e o fortalecimento do setor privado, com a meta ambiciosa de alcançar crescimento anual de 10% ou mais nos próximos cinco anos.
Desempenho recente e metas
A economia do Vietnã avançou a uma taxa anualizada de 7,8% nos primeiros três meses do ano, acima dos 7,1% do ano anterior, mas abaixo da meta de 9,1% e mais lenta do que no final de 2025.
Especialistas apontam que transformar essa visão em resultados concretos exigirá decisões rápidas e reformas difíceis, especialmente em um cenário global marcado por choques energéticos e incertezas.
Um observador avaliou que a consolidação do poder oferece vantagens, como “A oportunidade é óbvia. Tomada de decisões mais rápida, maior coerência política e uma chance melhor de implementar reformas difíceis em um momento crucial“, e também riscos.
“Mas o risco é que a concentração de poder possa avançar mais rápido do que a reforma institucional“, advertiu o analista, destacando a necessidade de equilibrar autoridade e fortalecimento de instituições.
Relações externas e desafios geopolíticos
O novo governo encara pressões externas, incluindo críticas dos Estados Unidos pelo superávit comercial, e a necessidade de equilibrar um relacionamento complexo com a China, maior parceiro comercial e rival estratégico.
Manter a abordagem pragmática na política externa será um desafio, à medida que o Vietnã busca proteger seus interesses no Mar da China Meridional e ao mesmo tempo atrair investimentos estrangeiros.
A combinação de centralização de poder, ambição por reformas e metas econômicas elevadas coloca To Lam presidente Vietnã frente a uma difícil tarefa: acelerar transformações sem perder estabilidade política e suporte social.
