Siderúrgicas do Irã paralisadas após ataques dos EUA e Israel, Khuzestan e Mobarakeh com equipamentos danificados, retomada estimada entre seis meses e um ano

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Siderúrgicas do Irã têm produção interrompida, impacto na indústria e no setor militar, e Teerã anuncia retaliações contra zonas industriais de rivais

Duas das maiores plantas siderúrgicas do país estão com as operações suspensas após ataques registrados desde a semana passada, com vários equipamentos danificados e paralisação completa das linhas de produção.

A Companhia Siderúrgica de Khuzestan, no sudoeste do Irã, e a Companhia Siderúrgica Mobarakeh, na província de Isfahan, confirmaram danos que forçaram a interrupção das atividades, gerando preocupação sobre suprimentos industriais e militares.

As informações e declarações sobre os danos e prazos de retorno foram divulgadas pelas próprias empresas e pelas autoridades iranianas, conforme informação divulgada pelo g1.

Paralisação nas plantas e prognóstico de retomada

A Mobarakeh informou em comunicado que suas “linhas de produção estão completamente paralisadas devido à intensidade dos ataques”, acrescentando que “é impossível continuar com as operações”.

Do outro lado, a Companhia Siderúrgica de Khuzestan, por meio do vice-diretor de operações Mehran Pakbin, afirmou que a usina terá um período longo de recuperação, e que “Todos os módulos e fornos de produção de aço deste complexo industrial foram danificados. Segundo as nossas previsões iniciais, a retomada das operações das unidades ocorreram entre seis meses e um ano, no mínimo”.

As declarações das empresas indicam danos extensos a equipamentos centrais, o que torna a retomada gradual e dependente de peças, reparos especializados e logística para reposição de componentes.

Implicações para a indústria e para o setor de defesa

O aço é classificado como material estratégico, com aplicações na indústria pesada e na produção militar, incluindo a fabricação de mísseis, drones e navios, o que amplia o impacto da paralisação além do setor civil.

Com as duas maiores siderúrgicas do país fora de operação, cadeias de suprimento internas e contratos de exportação podem ser afetados, e a capacidade do Irã de sustentar programas industriais associados à defesa pode sofrer pressão nos próximos meses.

Reações e ameaças entre Irã, EUA e Israel

Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou que planeja realizar ataques com mísseis e drones contra zonas industriais de Israel e dos EUA no Oriente Médio, elevando o risco de escalada regional.

Autoridades das Forças Armadas do Irã disseram que a guerra continuará até a rendição do inimigo, prometendo “ataques mais devastadores, amplos e mais destrutivos”, como declarou o porta-voz Ebrahim Zolfaqari, em comunicado pela TV estatal.

No lado dos EUA, o presidente fez ameaças públicas ao Irã, mencionando a possibilidade de ataques mais intensos nas próximas semanas e aludindo a medidas contra infraestrutura energética. Em seu discurso, Donald Trump afirmou que pretende retornar o Irã “para a Idade da Pedra” se não houver acordo, o que levou a nova rodada de retóricas e advertências.

Perspectivas regionais e econômicas

A interrupção das atividades nas siderúrgicas pode pressionar preços e prazos em setores que dependem do aço, e, em cenário de maior conflito, influenciar cotações de commodities como o petróleo.

Especialistas em defesa e economia apontam que a recuperação dependerá não apenas de reparos, mas também do contexto de segurança, acesso a fornecedores estrangeiros de peças e eventuais sanções que possam limitar importações de tecnologia e componentes.

Enquanto isso, o governo iraniano tenta separar sua retórica de Estado em relação ao povo norte-americano, ao mesmo tempo em que promete continuar as ações de retaliação contra o que classifica como agressões, em um quadro que deixa a região em alerta.

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