Quem é Bally Bagayoko, prefeito de Saint-Denis, alvo de ataques racistas em canal francês, e por que sua eleição levantou polêmica sobre polícia municipal e fake news

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Bally Bagayoko, negro e filho de imigrantes malineses, venceu no 1º turno em Saint-Denis, cidade de 150 mil habitantes, e enfrenta acusações, fake news e reações do governo

Bally Bagayoko cresceu em Saint-Denis, a cidade mais populosa da região da Île-de-France depois de Paris, e foi eleito prefeito em primeiro turno.

Desde a vitória, Bagayoko tem sido alvo de ataques racistas em um canal de TV e de divulgação de notícias falsas, além de enfrentar críticas por propostas sobre a polícia municipal.

Ele anunciou um encontro de cidadãos contra o racismo, a islamofobia, o antissemitismo e a xenofobia, buscando reunir apoio local e nacional, conforme informação divulgada pelo g1.

Trajetória, identidade e propostas

Filho de pais malineses, Bally Bagayoko construiu sua carreira política a partir de sua ligação com a comunidade de Saint-Denis, cidade de cerca de 150 mil habitantes ao norte de Paris.

Sua eleição no 1º turno o tornou uma figura visível, e uma de suas propostas mais debatidas foi o desarmamento progressivo da polícia municipal, iniciativa que gerou polêmica sobre segurança e gestão pública.

Críticos acusaram Bagayoko de querer se livrar de funcionários da administração que não estariam alinhados com suas políticas, uma narrativa que também circulou em redes e alimentou fake news.

Polêmica na CNews e reação pública

O caso ganhou dimensões nacionais após comentários feitos em um programa da CNews, canal de propriedade do empresário Vincent Bolloré, onde um psicólogo convidado fez observações sobre liderança humana que foram consideradas racistas por opositores.

O psicólogo afirmou, textualmente, “Há certamente alguma verdade nisso. Agora, é importante lembrar que o Homo sapiens é um mamífero social e pertence à família dos grandes macacos. Consequentemente, em toda comunidade, em toda tribo – nossos ancestrais caçadores-coletores viviam em tribos – existe um líder cujo papel é estabelecer sua autoridade”, afirmou o psicólogo.

O diálogo motivou críticas de parlamentares e organizações: a líder do grupo França Insubmissa, Mathilde Panot, falou em “racismo descarado e sem vergonha”, um senador comunista chamou o canal de “antro de racismo” e um deputado verde classificou as falas como “notícias lixo”.

Organizações antirracistas também reagiram, o chefe da SOS Racismo condenou o episódio como um “ataque com evidentes conotações racistas” e o MRAP anunciou que apresentaria queixa contra a emissora.

A CNews divulgou nota em que “nega formalmente que quaisquer comentários racistas tenham sido feitos” e afirmou que trechos foram “truncados e retirados de seu contexto”, acusando uso polêmico de cortes de áudio.

Resposta institucional e próximos passos

O caso gerou reação do governo francês, com declarações de apoio a Bally Bagayoko. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou à rádio RTL, “Considero esses ataques desprezíveis (…). Estamos na França, é a República Francesa que reconhece todos os seus filhos, independentemente de sua origem”.

A ministra da Cultura, Catherine Pégard, qualificou as falas como “ataques vis e inaceitáveis”.

Arcom, a autoridade que regula o audiovisual na França, foi acionada pelo MRAP e pela SOS Racismo e informou que investigaria as denúncias apresentadas.

Enquanto isso, Bagayoko mantém a agenda pública, anunciou um encontro cidadão para reforçar a oposição ao racismo e à xenofobia, e a controvérsia segue no campo político e jurídico, entre investigações, queixas formais e debates sobre liberdade de expressão e responsabilidade editorial.

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