Protestos na Alemanha por Collien Fernandes, vítima de deepfake, mobilizam milhares e pressionam por leis mais rígidas contra violência digital

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Manifestações em Berlim, Hamburgo e Frankfurt exigem responsabilização por vídeos falsos gerados por IA, destacam lacunas legais e pedem proteções contra deepfake

Milhares de pessoas saíram às ruas na Alemanha para apoiar a atriz e apresentadora Collien Fernandes, alvo de vídeos pornográficos falsos gerados por inteligência artificial.

Os protestos, organizados em várias cidades, cobram leis mais duras contra o uso de deepfake para difamação e violência digital, e visam chamar atenção para a proteção de mulheres online.

O caso reacendeu o debate sobre lacunas jurídicas no país, e sobre a necessidade de responsabilizar autores e plataformas, conforme informação divulgada pelo g1

O caso e as acusações

Collien Fernandes, de 44 anos, acusa o ex-marido, o ator e apresentador Christian Ulmen, de ter criado perfis falsos para contatar homens do seu círculo social e de divulgar vídeos pornográficos falsos que usam sua imagem.

Segundo as informações divulgadas, Fernandes relata assédio online que dura anos, e diz que o marco jurídico alemão é insuficiente, chamando o país de um “paraíso para os agressores“.

Uma denúncia já tinha sido apresentada em 2024, mas foi arquivada em junho por falta de pistas que permitissem identificar o autor dos vídeos, segundo a apuração.

Reações públicas e mobilização

De Berlim a Frankfurt, passando por Hamburgo e Munique, manifestantes se reuniram em apoio à atriz. No dia 26 de março, 17.000 manifestantes protestaram em Hamburgo para pressionar por mudanças, segundo os relatos.

O coletivo Vulver e a Juventude dos Verdes estiveram entre os convocantes das mobilizações, denunciando as “lacunas gritantes” da proteção jurídica das mulheres na internet e pedindo políticas públicas eficazes.

Em Munique, Luna Sahling, porta-voz da Juventude dos Verdes, afirmou que os atos também dão voz a “vítimas que não têm uma voz tão forte nem qualquer publicidade”.

Debate político e respostas das autoridades

A Procuradoria alemã informou estar investigando Christian Ulmen por uma “suspeita inicial“, com a possibilidade de acrescentar outras infrações conforme surgirem novas provas.

O governo já vinha trabalhando em um projeto de lei específico sobre divulgação de vídeos falsos gerados por IA, mas a repercussão do caso acelerou a urgência da pauta legislativa.

O chefe de Governo, Friedrich Merz, falou sobre uma “explosão da violência na nossa sociedade, tanto no espaço físico como no digital”, e afirmou que “parte considerável desta violência procede das comunidades de imigrantes”, declaração que gerou polêmica.

Essa afirmação foi criticada por organizações feministas, incluindo Lydia Dietrich, diretora da associação Frauenhilfe München, que classificou o comentário como “uma mentira populista escandalosa“.

Investigações, proteção e próximos passos

Fernandes também apresentou queixa na Espanha, onde o casal morava, citando que a legislação sobre violência contra as mulheres é mais rígida naquele país.

Após receber ameaças de morte, a atriz chegou a vestir um colete à prova de balas antes de subir ao palco, e declarou que, “pois [há] homens, e apenas homens, que querem me matar”, palavras que enfatizaram o clima de insegurança.

Manifestantes exigem leis que tipifiquem e punam o uso de deepfake para assédio e difamação, maior fiscalização das plataformas digitais, e mecanismos que facilitem identificar e responsabilizar autores.

Especialistas e ativistas apontam que, além de legislação específica, é preciso ampliar suporte às vítimas, acelerar apurações e investir em ferramentas técnicas para detectar mídias manipuladas.

Enquanto as investigações seguem, o caso serve como catalisador para um debate mais amplo sobre violência digital, privacidade e direitos das mulheres na era da inteligência artificial.

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