Preço do petróleo sobe mais de 7% após declaração de Trump sobre manutenção de ataques ao Irã, aumentando temores de interrupção no abastecimento

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A fala do presidente dos EUA elevou o risco percebido de desabastecimento global e provocou alta nos contratos de Brent e WTI, pressionando mercados na Ásia e avivando preocupações logísticas

Os preços do petróleo registraram alta significativa na manhã desta quinta-feira, em reação direta a um pronunciamento do presidente dos Estados Unidos que indicou continuidade das operações militares contra o Irã.

O movimento aumentou o temor entre investidores sobre possíveis **interrupções no fornecimento** e sobre o impacto em rotas marítimas cruciais para o transporte de combustíveis.

Os principais indicadores do mercado registraram ganhos expressivos nas primeiras horas de negociação, em um dia marcado por aversão ao risco e por quedas em bolsas asiáticas, conforme informação divulgada pelo g1

Reação imediata dos preços e dados observados

Por volta das 7h15 (horário de Brasília), o petróleo tipo Brent avançava 7,28%, cotado a US$ 108,52. No mesmo horário, os futuros do petróleo bruto WTI subiam 7,88%, para US$ 108,01 o barril. Esses saltos ocorreram após uma queda anterior de mais de US$ 1 em ambos os benchmarks, registrada antes do pronunciamento.

No discurso televisionado, o presidente afirmou, em tradução livre, “Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto“, e acrescentou que as forças armadas dos EUA estão próximas de atingir seus objetivos, sem apresentar cronograma claro para o fim do conflito.

Analistas e riscos de oferta

Analistas consultados pelo mercado ressaltaram que a falta de referência a negociações de paz ou a um plano de cessar-fogo ampliou a incerteza. Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, disse que os mercados reagem à ausência de “qualquer menção clara a um cessar-fogo ou a iniciativas diplomáticas” no discurso.

Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, observou que, sem “menção a um plano consistente de cessar-fogo ou a uma estratégia de saída, os mercados seguem assimilando as declarações do governo”, o que pode sustentar preços mais elevados caso as tensões persistam.

Ameaças ao tráfego marítimo e incidentes recentes

O aumento das ameaças ao tráfego marítimo contribuiu para a alta do preço do petróleo. Na quarta-feira, um petroleiro fretado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo comunicado do Ministério da Defesa do país, elevando ainda mais as preocupações sobre a segurança das rotas comerciais.

A chefe da Agência Internacional de Energia alertou que eventuais interrupções no fornecimento devem começar a afetar a economia europeia a partir de abril, já que o continente vinha sendo protegido por cargas contratadas antes do início do conflito.

Impacto nas bolsas e na aversão ao risco

As falas do presidente dos EUA também repercutiram em mercados acionários da Ásia, com fechamento em baixa em centros importantes. O índice de Xangai caiu 0,74%, o CSI300 recuou 1,04% e o Hang Seng de Hong Kong perdeu 0,70%, entre outros recuos regionais.

Setores mais sensíveis ao risco, como semicondutores, lideraram as perdas, refletindo redução do apetite por ativos considerados mais arriscados em um ambiente de incerteza geopolítica e alta do preço do petróleo.

Perspectivas e sinais a acompanhar

Se as tensões se intensificarem ou os riscos no transporte marítimo aumentarem, o petróleo pode atingir novas altas, à medida que o mercado começa a considerar possíveis interrupções no fornecimento. A evolução do conflito, relatos sobre segurança de navios e respostas diplomáticas devem continuar determinando a volatilidade dos preços.

Investidores e operadores vão monitorar próximos passos dos governos envolvidos, comunicações de organismos internacionais e indicadores de estoques e demanda, buscando sinais que possam indicar manutenção ou reversão da tendência de alta do preço do petróleo.

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