ONU vota resolução do Bahrein para autorizar uso de força no Estreito de Ormuz, China, Rússia e França se opõem a trechos que permitiriam ação militar

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Proposta do Bahrein pediria autorização por pelo menos seis meses para proteger a passagem de navios no Estreito de Ormuz, e o trecho sobre “todos os meios defensivos necessários” gera impasse entre potências

O Conselho de Segurança da ONU deve votar uma resolução apresentada pelo Bahrein que visa proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, mas a aprovação está em dúvida devido à oposição de membros permanentes.

A proposta incluiria autorização para usar “todos os meios defensivos necessários” por pelo menos seis meses, segundo texto finalizado pelo Bahrein, e foi formulada após ataques que afetaram a rota marítima.

A votação foi remarcada para a manhã de sábado, em vez de sexta-feira, e a disputa no Conselho aumenta a incerteza sobre a reabertura do estreito e os impactos nos preços do petróleo, conforme informação divulgada pelo g1.

O que prevê a resolução

O projeto de resolução finalizado pelo Bahrein autorizaria países a proteger navios comerciais no Estreito de Ormuz e a impedir tentativas de bloqueio, com validade prevista por pelo menos seis meses.

O texto inclui a expressão exata “todos os meios defensivos necessários“, linguagem que países árabes consideram essencial para uma ação mais robusta contra obstruções, segundo a proposta discutida a portas fechadas.

Obstáculos no Conselho de Segurança

A aprovação enfrenta resistência de potências com poder de veto, e a negociação já teve capítulos difíceis, segundo relatos de diplomatas e a cobertura do The New York Times.

Sobre o processo decisório foi ressaltado que “Uma resolução do Conselho de Segurança precisa de ao menos nove votos favoráveis e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.”, conforme as informações divulgadas.

Reações de países e declarações

O enviado da China à ONU, Fu Cong, advertiu que autorizar o uso da força “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e poderia provocar escalada, frase que expressa a posição chinesa contra o trecho mais agressivo da proposta.

Fontes diplomáticas disseram ao The New York Times que China, França e Rússia já frustraram tentativas de obter aprovação, e que esses países pressionaram para retirar passagens mais duras do texto.

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein caracterizou as ações do Irã como uma “tentativa ilegal e injustificada” de controlar a navegação, e disse que as medidas exigem uma resposta decisiva, conforme a versão oficial apresentada ao Conselho.

Impacto para navegação e economia

O bloqueio ou as interrupções na passagem pelo Estreito de Ormuz têm reflexos diretos nos mercados, já que por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, segundo as informações citadas.

Os preços do petróleo subiram após ataques envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro, e a continuidade dos ataques, sem plano claro para reabrir a rota, aumenta a volatilidade dos mercados internacionais.

Analistas ouvidos indicam que a resolução liderada pelo Bahrein pode ter mais peso simbólico do que prático, porque os países do Golfo dependem de apoio externo, em especial dos Estados Unidos, para operações militares mais amplas.

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