Natura redesenha governança, retira fundadores do conselho e negocia com Advent International participação de 8% a 10% e novo acordo acionário por 10 anos

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Empresa cria conselho consultivo para preservar cultura, recompoe Conselho de Administração com novo chairman e firma compromisso vinculante para venda de ações no mercado secundário

A Natura anunciou uma reestruturação em sua governança para abrir um novo ciclo estratégico, com mudanças na composição do Conselho de Administração e a criação de um Conselho Consultivo estatutário.

Os três fundadores, Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, deixarão suas cadeiras no Conselho de Administração e passarão a integrar o novo órgão consultivo, que não terá funções executivas nem poder de decisão.

As informações constam em comunicado da empresa, conforme informação divulgada pelo g1.

O que muda no comando e qual o papel do conselho consultivo

A recomposição do Conselho de Administração ocorrerá para um mandato de dois anos, com Alessandro Carlucci, conselheiro independente, indicado para assumir a presidência do colegiado. A proposta de nova composição inclui nomes da operação, como Duda Kertesz e João Paulo Ferreira, atual CEO, e também novos integrantes, entre eles Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.

Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, assim como o atual chairman Fabio Barbosa, migrarão para o Conselho Consultivo, cuja função será acompanhar a trajetória da companhia e zelar pela preservação de seus valores e de sua cultura empresarial. A companhia descreveu o novo órgão como guardião da cultura, dos valores e do legado que definem a essência da companhia, sem atribuições executivas.

Novo acordo entre acionistas, duração e blocos representados

Paralelamente, os principais acionistas firmaram um novo acordo com prazo inicial de dez anos, prorrogável por mais dez. O documento substitui o acordo anterior, cujo prazo venceria em 31 de março de 2026, e reúne os blocos que representam os fundadores e investidores históricos.

Estão contemplados, entre outros, o Bloco Seabra, representado por Antonio Luiz da Cunha Seabra, o Bloco Leal, representado por Guilherme Peirão Leal, e o Bloco Passos, representado por Pedro Luiz Barreiros Passos, assim como o Bloco Pinotti, representado por Vinicius Pinotti, e o Bloco Mattos, representado por Maria Heli Dalla Colletta de Mattos. A Natura informou que o novo acordo mantém inalteradas as participações acionárias desses grupos e reafirma o compromisso de longo prazo com a companhia.

Entrada da Advent International, termos da operação e direitos vinculados

A companhia firmou um compromisso vinculante com o fundo Lotus, gerido pela Advent International, para a compra de uma participação minoritária no mercado secundário, prevista entre 8% e 10% das ações da Natura dentro de um prazo de até seis meses. O acordo considera um preço alvo médio de R$ 9,75 por ação.

Caso a Advent atinja a participação mínima de 8%, o investidor terá o direito de indicar dois membros para o Conselho de Administração e participar de comitês de assessoramento. Nesse cenário, o conselho poderá ser ampliado para até dez integrantes, combinando conselheiros indicados pelos acionistas controladores, representantes do investidor e membros independentes.

Motivações estratégicas e expectativas

A empresa afirmou que a reorganização busca separar claramente dois papéis, a execução da estratégia de negócios, a cargo do Conselho de Administração, e a preservação da cultura, a cargo do Conselho Consultivo. A Natura descreveu a mudança como parte da preparação para um novo ciclo de crescimento.

Em comunicado, a companhia afirmou que a celebração do novo acordo reafirma o compromisso dos acionistas com o futuro da Natura e com a continuidade do projeto empresarial. A reorganização ocorre após um período de simplificação corporativa e reorganização da estrutura de capital, e visa combinar governança operacional e proteção do legado institucional.

Na recomposição, também deixaram o conselho Bruno Rocha e Gilberto Mifano, sendo que Mifano seguirá à frente do comitê de auditoria e finanças. Para a Natura, a nova estrutura deve permitir que a administração e os acionistas trabalhem de forma alinhada na busca por crescimento, enquanto o conselho consultivo atua como espaço de salvaguarda da identidade da marca.

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