Morte de Thawanna pela PM em Cidade Tiradentes acirra tensão no bairro, e autoridades prometem analisar câmeras corporais e perícias para apurar responsabilidades
Uma mulher morreu após um disparo durante uma intervenção policial na madrugada, em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo.
A vítima, identificada como Thawanna da Silva Salmázio, foi socorrida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos, e a ocorrência provocou protestos no bairro.
A investigação prossegue com procedimentos administrativos e criminais, enquanto moradores e familiares cobram esclarecimentos.
Como a abordagem foi relatada pela polícia
Segundo relato dos policiais, a equipe fazia patrulhamento quando avistou um casal andando com os braços entrelaçados no meio da rua, e, ao passar pelo local, o braço do homem teria batido no retrovisor da viatura.
Os agentes afirmam que retornaram para verificar a situação, momento em que o homem teria começado a gritar e discutir com a equipe, desobedecendo à ordem para se afastar, e que, em seguida, houve um confronto físico quando a mulher partiu para cima de uma policial.
Em depoimento, uma policial disse que a mulher apresentava comportamento exaltado, invadiu seu espaço pessoal e desferiu tapas, incluindo um no rosto, e que tentou se defender e conter a agressão, quando houve um disparo que atingiu a vítima.
Versões conflitantes da família e da polícia
O companheiro da vítima conta outra versão, ele diz que a viatura passou em alta velocidade, quase atingiu o casal, e que a reação de Thawanna foi uma reclamação, não uma agressão.
O marido afirmou ainda que tentou demonstrar que não oferecia risco, que a mulher não estava agressiva, e que policiais chegaram a usar spray de pimenta, antes do disparo que acabou atingindo Thawanna.
Investigação, afastamento e medidas adotadas
A Polícia Militar afastou a policial envolvida do serviço operacional até a conclusão das apurações, e a arma da agente foi apreendida, medidas que acompanham o procedimento investigativo.
A Polícia Civil registrou a ocorrência no 49º Distrito Policial e o caso será encaminhado ao DHPP, enquanto a Corregedoria da PM abriu Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias do disparo e das lesões.
Nota da Secretaria da Segurança Pública, “A Secretaria da Segurança Pública lamenta profundamente a morte de Thawanna da Silva Salmázio após intervenção policial na madrugada desta sexta-feira (3), na zona leste da capital. A policial envolvida foi afastada, teve a arma apreendida pelo DHPP e é alvo de Inquérito Policial Militar (IPM). A ocorrência também foi registrada no 49º Distrito Policial e encaminhada ao DHPP, que conduz investigação independente. As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais já integram a investigação. A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da vida. A polícia não tolera desvios de conduta e toda Irregularidade é punida com rigor nas esferas administrativa e criminal.”
Reações no bairro e próximos passos
O caso gerou protestos de moradores, que montaram barricadas com pneus incendiados e foram dispersos com uso de armas de efeito moral, segundo relatos de quem estava no local.
As imagens das câmeras corporais da equipe serão analisadas e integradas às investigações, que prometem esclarecer se houve excesso, reação legítima ou outro tipo de conduta, com acompanhamento das corregedorias e possíveis desdobramentos criminais e administrativos.
