sexta-feira, abril 17, 2026

Maior diferença em 4 anos entre preços da carne bovina e suína impulsiona competitividade e preocupa setor em 2026

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Preços da carne bovina aumentam enquanto valor da carne suína recua, causando maior distância histórica nos preços das duas proteínas

O mercado das carnes bovina e suína tem apresentado oscilações significativas em 2026, marcando a maior diferença de preços registrada nos últimos quatro anos. A valorização da carne bovina combinada com a queda nos preços da carne suína intensifica a competitividade entre as proteínas e gera desafios para produtores e consumidores.

Conforme informação divulgada pelo g1, em março de 2026 a distância entre os valores das carcaças bovina e suína alcançou R$ 14,26 o quilo, aumento de 6,8% em relação a fevereiro, refletindo o maior patamar desde abril de 2022. O cenário é resultado da gangorra de preços causada pela baixa liquidez na suinocultura durante a Quaresma e pelo crescimento expressivo das exportações de carne bovina.

O texto a seguir detalha esse contexto, com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP e análise das tendências que explicam essas movimentações.

Alta da carne bovina reforçada pela demanda internacional e oferta restrita

Em março, a carcaça casada bovina comercializada no atacado da Grande São Paulo obteve valorização de 2,6% em comparação com fevereiro, com preço médio de R$ 24,32 o quilo, segundo o Cepea. Essa alta deve-se à combinação da disponibilidade escassa de animais prontos para abate e à forte demanda externa pela proteína brasileira, que mantém o mercado interno com preços firmes.

Além disso, o volume de exportações de carne bovina in natura no primeiro trimestre de 2026 bateu recordes históricos. Foram exportadas 701,662 mil toneladas, volume 19,7% superior ao mesmo período de 2025 e 36,6% acima de 2024, conforme dados da Secex e análises do Cepea. O preço médio pago por tonelada no mercado internacional também subiu para US$ 5.814,80 em março, alta de 3,1% frente a fevereiro e 18,7% em relação a março de 2025.

Recuo nos preços da carne suína devido à baixa liquidez e impacto da Quaresma

Já a cotação média da carcaça especial suína na Grande São Paulo fechou março em R$ 10,06 o quilo, representando queda de 2,8% comparado ao mês anterior. Essa desvalorização está associada à menor liquidez do mercado de suínos vivo e de carne durante o período da Quaresma, quando a demanda do consumidor tende a diminuir.

O mercado do suíno vivo, por sua vez, reportou quedas ainda mais expressivas em fevereiro, com preços caindo até 20% nas regiões produtoras do interior paulista. A média na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) foi de R$ 6,91 o quilo, contra R$ 8,24 em janeiro, provocando preocupações sobre a oferta interna e o ritmo de consumo.

Conflito no Oriente Médio e preocupações com exportações

O cenário global também contribui para incertezas no mercado da carne suína. O conflito no Oriente Médio, com destaque para tensões envolvendo o Irã, pode restringir canais importantes de escoamento, aumentar custos de frete e seguros marítimos, impactando exportadores brasileiros. Apesar de a região não ser um mercado relevante para a carne suína devido a aspectos culturais e religiosos, o efeito indireto nos custos logísticos preocupa o setor.

Perspectivas para o mercado doméstico das carnes em abril

Os primeiros dias de abril indicam continuidade da valorização dos preços do boi gordo, bezerro e carne bovina, sustentados pela oferta limitada e demanda externa aquecida. Já o mercado da carne suína seguirá atento às oscilações provocadas pela Quaresma e aos impactos internacionais, com operadores acompanhando cuidadosamente os próximos movimentos.

Em resumo, a crescente diferença entre os preços da carne bovina e suína refletida neste início de 2026 demonstra os desafios e dinâmicas particulares enfrentadas pelos dois setores. A forte exportação e demanda internacional da carne bovina contrastam com a baixa liquidez e instabilidade da carne suína, influenciando decisivamente a competitividade e o comportamento do consumidor no país.

Equipe ViralNews
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