Polícia localiza indícios, recolhe provas e aponta motivações ligadas à guarda do filho e a bens da família Aguiar, além de investigar pessoas que teriam atrapalhado apuração
O caso do desaparecimento de três membros da família Aguiar segue com a investigação em curso, com o principal suspeito detido e novas pessoas sendo apuradas por obstrução.
As diligências já indicaram vestígios na casa das vítimas, a recuperação do celular de uma delas e movimentações que chamaram atenção da polícia desde o fim de janeiro.
Ao mesmo tempo, delegados traçam possíveis motivações, que incluem desavenças sobre a criação do filho e interesses patrimoniais, e ampliam o foco para quem pode ter tentado atrapalhar as apurações.
conforme informação divulgada pelo g1
Provas e perícias coletadas até agora
Desde o desaparecimento de Silvana Aguiar em 24 de janeiro, e dos pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, no dia seguinte, a investigação identificou vestígios importantes. Em perícia na casa de Silvana foram encontrados vestígios de sangue no banheiro e na área externa, e um projétil foi achado no pátio da residência dos idosos.
O celular de Silvana foi localizado escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais, após denúncia anônima. A análise do aparelho mostrou que ele nunca esteve em Gramado, embora uma publicação nas redes sociais alegasse o contrário no dia do sumiço.
Buscas em áreas de mata e rios foram realizadas por equipes da Polícia Civil e dos bombeiros, com o uso de cães farejadores, sem, até o momento, localizar os corpos das três vítimas.
Suspeito preso e motivações apontadas
O principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que chegou a prestar depoimento inicial como testemunha, e depois foi preso temporariamente depois da quebra de sigilo telefônico que apontou movimentações suspeitas.
A polícia trabalha com a hipótese de feminicídio em relação a Silvana, e de duplo homicídio em relação aos pais dela, com chances consideradas remotas de encontrá-los com vida. A investigação aponta desavenças entre Cristiano e Silvana sobre a criação do filho como possível motivação.
Nas palavras do delegado Anderson Spier, “A gente tem já na investigação formalizada que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho“.
Uma segunda possibilidade levantada pela polícia é de natureza financeira. Segundo Spier, “Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto“, destaca Spier.
O caso já foi contabilizado em estatísticas locais, e, conforme registros oficiais, “Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026“.
Novos investigados por atrapalhar a apuração
No fim de março, três pessoas ligadas ao policial passaram à condição de investigadas por supostamente atrapalhar as investigações. Uma parente com atuação em TI é suspeita de apagar dados em dispositivos e na nuvem, configurando possível fraude processual.
Outro familiar é suspeito de deletar imagens de câmeras da casa onde mora a mãe de Cristiano, também sendo investigado por fraude processual. Uma terceira pessoa próxima ao PM é apurada por falso testemunho, após prestar depoimento que, segundo a polícia, teria criado álibis falsos a pedido de um familiar do suspeito.
O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, informou que segue atuando no caso e aguarda a conclusão do inquérito para se manifestar.
Andamento das investigações e próximos passos
Cristiano deve ser ouvido novamente na semana que vem. No início da apuração ele falou como testemunha, depois permaneceu em silêncio quando passou a ser apontado como suspeito.
As buscas e perícias continuam na região, enquanto a polícia analisa áudios, quebras de sigilo e imagens de câmeras que registraram movimentações na noite do desaparecimento. Vizinhos relataram entradas e saídas de veículos na casa de Silvana na noite de 24 de janeiro.
Desde a prisão de Cristiano, o filho do casal ficou sob os cuidados da avó paterna, e o processo busca esclarecer se houve conluio para ocultar provas, quem são os responsáveis por eventuais perdas de dados, e onde estão os corpos de Silvana, Isail e Dalmira.
A investigação segue com etapas de diligência, novas oitivas e análises técnicas, na tentativa de concluir o inquérito e levar o caso ao Ministério Público para possíveis encaminhamentos judiciais.
