Homens com obesidade podem transmitir risco de diabetes aos filhos por microRNAs no esperma, estudo identifica let-7 e mostra redução após perda de peso

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Pesquisa com camundongos e ensaio em homens obesos detectou excesso do microRNA let-7 no tecido adiposo e no sêmen, e diminuição dos níveis após intervenção alimentar

Novas evidências indicam que a saúde metabólica do pai pode influenciar o risco de doenças nos filhos por além do DNA, por meio de moléculas pequenas chamadas microRNAs.

Em experimentos com camundongos, filhotes de pais obesos nasceram com peso normal, mas desenvolveram intolerância à glicose e resistência à insulina nos dias seguintes, características ligadas ao diabetes tipo 2.

Os achados também foram verificados em humanos, em uma amostra de 15 homens com obesidade severa, e os níveis do microRNA let-7 diminuíram após reeducação alimentar, conforme informação divulgada pelo g1.

Como foi o estudo

O trabalho, publicado em Nature Communications, combinou modelos animais e análises em homens que buscavam tratamentos de fertilidade. Nos camundongos, pesquisadores encontraram excesso do microRNA let-7 no tecido adiposo e no espermatozoide de machos obesos.

Os filhotes expostos a esse esperma apresentaram alterações metabólicas que surgiram após os primeiros dias de vida, sugerindo que sinais transmitidos pelo espermatozoide afetam o desenvolvimento embrionário inicial.

O papel dos microRNAs, segundo os autores

Os microRNAs são moléculas que não geram proteínas, mas regulam quanto de cada proteína é produzida nas células, funcionando como interruptores finos da expressão gênica.

Como descreve o pesquisador Marcelo Mori, em entrevista, “Ele [o estudo] mostra que essa ‘herança’ pode ser transmitida pelo pai através do espermatozoide, usando pequenas moléculas, os microRNAs, que carregam informações sobre o estado de saúde do organismo”.

Efeito observado em humanos e impacto da perda de peso

Para validar a associação em humanos, foram selecionados 15 homens com nível de obesidade severo que se preparavam para tratamentos de fertilidade, e observou-se excesso do let-7 tanto no tecido adiposo quanto no sêmen.

Quando esses homens passaram por intervenção de estilo de vida e reeducação alimentar, houve diminuição dos níveis do microRNA, e, nas palavras de Mori, “Perder peso melhora a ‘qualidade molecular’ do esperma, pelo menos no que diz respeito aos microRNAs estudados”.

Limitações e próximos passos

Os pesquisadores ainda não sabem como os microRNAs aumentam no espermatozoide e qual a origem exata dessas moléculas no corpo do pai, portanto há incerteza sobre o mecanismo de envio desses sinais.

“Uma hipótese é que eles venham do próprio tecido adiposo (a gordura do corpo)”, afirma a equipe, e se isso se confirmar, poderá abrir caminho para intervenções que reduzam a transmissão desses sinais para a próxima geração.

São necessárias novas pesquisas para mapear a origem do let-7 e testes clínicos que aprofundem os achados, para distinguir efeitos biológicos diretos de fatores ambientais e familiares.

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