domingo, abril 19, 2026

EUA e Irã iniciam negociações de paz no Paquistão após trégua frágil no Estreito de Ormuz e conflito no Líbano

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Estados Unidos e Irã buscam acordo definitivo em negociações mediadas pelo Paquistão para conter tensão no Oriente Médio

Nas próximas horas, EUA e Irã dão continuidade às negociações de paz em Islamabad, capital do Paquistão, ambiente escolhido para tentar pôr fim a um conflito que se intensificou nas últimas semanas. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que os encontros terão início desde esta sexta-feira (10).

A Casa Branca confirmou que a delegação americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance, chegará ao Paquistão no sábado (11), para avançar no diálogo. Este grupo também inclui Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio, e Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump, figura constante em negociações diplomáticas da região.

Contudo, é grande o desafio para consolidar a trégua, já marcada por violações e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o tráfego mundial de petróleo. As informações são baseadas em dados divulgados pelo g1.

Trégua frágil e tensões no Estreito de Ormuz

O cessar-fogo vigente prevê que, por duas semanas, os EUA e Israel suspendam ataques ao território iraniano, enquanto o Irã reabriria o Estreito de Ormuz. Porém, na manhã de quarta-feira (8), ataques de ambos os lados foram registrados, e o Irã fechou o estreito após Israel bombardear o Líbano, especialmente áreas associadas ao Hezbollah, grupo aliado de Teerã.

Israel declarou que o conflito libanês não está coberto pelo acordo, divergindo do entendimento iraniano e do Paquistão sobre a extensão da trégua. O ataque israelense ao Líbano causou mais de 250 mortos, majoritariamente civis, destacando-se como o maior bombardeio em um único dia na história libanesa.

Embora autoridades iranianas tenham afirmado que o Estreito de Ormuz está aberto, ele opera com restrições severas sob coordenação militar da Guarda Revolucionária, devido ao temor de minas navais na região. No entanto, o fluxo de embarcações autorizadas a atravessar é mínimo, mantendo o tráfego quase suspenso. Em resposta, ex-presidente Donald Trump ameaçou tomar medidas para que o petróleo volte a fluir, com ou sem o Irã.

Principais pontos de divergência nas negociações

O diálogo enfrenta obstáculos em temas centrais, entre eles a proposta iraniana de um plano de dez pontos para o fim do conflito. Inicialmente, Trump considerou parte da proposta como base possível, mas posteriormente a Casa Branca classificou-a como “inaceitável”, exigindo uma versão mais condensada e razoável que ainda não foi detalhada publicamente.

Outro tema delicado é o programa nuclear iraniano, especificamente a continuidade do enriquecimento de urânio, que o Irã defende como parte de seu direito. Enquanto o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que os EUA concordaram com essa condição, Trump negou, reafirmando compromisso de eliminar o material nuclear enriquecido, incluindo com a cooperação iraniana.

Este impasse é reforçado por diferenças no entendimento do texto original do acordo, onde versões em persa indicam aceitação ao enriquecimento, enquanto versões em inglês omitiriam esse trecho, ampliando a desconfiança sobre intenções reais.

Conflito no Líbano e sua influência nas negociações

O Líbano é outro foco de disputa, pois o Paquistão e o Irã consideram o país integrante da trégua, o que impediria ataques durante o período. Por outro lado, Israel e EUA excluem essa região do acordo, justificando ataques ao Hezbollah como legítimos dentro dessa estratégia.

No maior bombardeio sobre o Líbano desde o início do conflito, as forças israelenses registraram ao menos 254 mortos e mais de 830 feridos, concentram ataques em Beirute e no sul do país. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que iniciará negociações de paz com o Líbano nos EUA, incluindo o desarmamento do Hezbollah, com início esperado para a próxima semana.

A complexidade das negociações reflete que a trégua é apenas uma pausa tensa e incerta no conflito, enquanto ambos os lados tentam avançar para um acordo permanente, que precisa superar muitas divergências cruciais em arenas múltiplas do Oriente Médio.

Equipe ViralNews
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