Pesquisa revela aumento de tristeza, violência e insatisfação corporal entre adolescentes, e especialistas ligam crises à vida nas telas e ao isolamento social
Aos 13 aos 17 anos, milhares de jovens atravessam um período de angústia crescente, marcado por solidão, humilhações e queda da autoestima.
Estudos e relatos de famílias mostram que o problema combina violência escolar, assédio e uso excessivo de redes sociais, fatores que amplificam ansiedade e depressão.
Os dados que fundamentam este panorama são resultado da mais recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a pesquisa mostrou
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada pelo IBGE para entender a realidade dos 12 milhões de brasileiros que têm entre 13 e 17, ouviu 118 mil estudantes em 2024, 30% deles afirmam que se sentem tristes “sempre” ou “na maioria das vezes”.
O levantamento também aponta que um em cada 4 alunos já sofreu ataques físicos ou psicológicos dentro da escola, e que a satisfação de adolescentes brasileiros com o próprio corpo cai desde 2015.
Diferenças por gênero
O quadro é especialmente duro para as meninas, um terço delas relata ter sofrido alguma humilhação dos colegas, uma em cada quatro já foi assediada sexualmente, 12% afirmam que foram estupradas, dados que mostram vulnerabilidade e urgência de proteção.
No caso dos garotos, os indicadores ressaltam maior dificuldade em fazer amigos e níveis mais altos de solidão, o que exige estratégias específicas de acolhimento social e emocional.
Impacto das telas e orientações de especialistas
Para o pediatra, sanitarista, escritor e ativista pela infância Daniel Becker, autor do livro Os mil dias do bebê, uma adolescência vivida dentro das telas e das plataformas digitais causa danos concretos à saúde mental, ao relacionamentos e à construção da autoestima.
Becker alerta pais, mães e educadores para sintomas de depressão e ansiedade, e orienta sobre as melhores abordagens para conversar com filhos e estudantes, priorizando escuta ativa, limites claros para uso de telas e busca por ajuda profissional quando houver sinais persistentes de sofrimento.
O que pais, escolas e políticas podem fazer
Identificar sinais precoces, promover espaços seguros na escola, investir em programas anti-bullying, ampliar atendimento psicológico e regular o uso de redes sociais são medidas apontadas por especialistas para reduzir o impacto da crise.
Conversas abertas, apoio familiar, monitoramento do comportamento e encaminhamento para serviços de saúde mental podem transformar trajetórias, e ações coordenadas entre famílias, escolas e políticas públicas são decisivas para proteger uma geração em risco.
