Bruxelas orienta países-membros a adotar plano da AIE com dez medidas para poupar gás e petróleo, ante risco de escassez e alta expressiva nos preços de importação
A União Europeia pediu nesta semana que governos e empresas preparem medidas para reduzir o consumo de combustíveis, incluindo incentivo ao home office e à diminuição de viagens aéreas.
A orientação parte do comissário europeu para energia, Dan Jorgensen, que enviou uma carta aos 27 países-membros pedindo ação conjunta diante do agravamento da guerra no Irã e da pressão sobre mercados globais de petróleo e gás.
As recomendações seguem um plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia, com foco em poupança de energia e garantia de abastecimento para o próximo inverno.
conforme informação divulgada pelo g1
O que a UE está pedindo na prática
O apelo de Jorgensen incentiva medidas como incentivo ao home office, car sharing, maior uso do transporte público e redução do limite de velocidade em autoestradas, além de trocar usos que dependem de gás por energia elétrica quando possível.
Entre as sugestões também está a redução de viagens aéreas e o adiamento de manutenções de refinarias, para manter produção contínua de combustíveis, e a preparação para garantir armazenamento adequado de gás.
O documento recomendado pela UE baseia-se no plano da AIE originalmente elaborado em 2022, que voltou a ganhar relevância com a nova escalada do conflito no Oriente Médio.
Números que explicam a urgência
A crise já elevou os preços na UE em cerca de 70% para o gás e 60% para o petróleo, e, em 30 dias de conflito, essa alta adicionou 14 bilhões de euros aos custos de importação de combustíveis fósseis do bloco.
Ministros de energia avaliam como lidar com uma perda estimada de 11 milhões de barris de petróleo por dia e de mais de 300 milhões de metros cúbicos de GNL, decorrentes da guerra no Irã.
Para mitigar o choque, os 32 membros da AIE liberaram 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, o maior desbloqueio de estoques da história da organização.
Riscos e avisos de autoridades
Dan Jorgensen alertou, na carta aos países-membros, que “Não devemos nos iludir: as consequências desta crise para os mercados de energia não serão de curta duração. Porque não serão“.
Ele também afirmou que “A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida. Mas temos de estar preparados para uma possível interrupção prolongada do comércio internacional de energia“.
O chefe da AIE, Fatih Birol, destacou que “A perda de petróleo em abril será o dobro da perda de março, além da perda de GNL“, e que “O maior problema hoje é a falta de querosene de aviação e diesel. Estamos vendo isso na Ásia, mas creio que logo, em abril ou maio, chegará à Europa“.
O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, advertiu que “Se esta guerra se transformar num grande conflito regional, poderá sobrecarregar a Alemanha e a Europa ainda mais do que vivenciamos recentemente durante a pandemia da covid-19 ou no início da guerra na Ucrânia“.
Impactos imediatos e o que governos podem fazer
O setor de transportes europeu enfrenta custos crescentes e risco de escassez, devido à forte dependência do Golfo Pérsico, que responde por mais de 40% das importações de querosene de aviação e diesel da UE.
As recomendações visam reduzir a demanda de curto prazo, preservando estoques e direcionando políticas para evitar racionamento abrupto, por meio de ações conjuntas entre países-membros.
Medidas como incentivo ao home office, promoção do transporte coletivo, compartilhamento de veículos e moderação na circulação, podem reduzir consumo, aliviar preços e ganhar tempo para ajustar o abastecimento.
Com a crise acelerando aumentos de preço e pressionando custos de importação, a recomendação europeia destaca que é necessário agir já e em conjunto, para proteger cidadãos e empresas frente à crise de energia.
