Como 3 episódios históricos podem indicar os rumos da guerra no Irã, do ataque dos houthis ao risco no Estreito de Ormuz até impacto em rotas e mercados globais

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Três lições da crise de Suez, do choque do petróleo de 1973 e da Guerra Irã-Iraque ajudam a entender como a guerra no Irã pode ameaçar rotas marítimas e preços

A rápida expansão do conflito no Golfo Pérsico reacende perguntas sobre os possíveis efeitos da guerra no Irã nas rotas comerciais e nos mercados de energia.

Analistas têm recorrido a episódios do século 20 para identificar padrões, desde bloqueios de canais estratégicos até embargos que mexeram com a economia global.

No texto a seguir, são examinadas três lições históricas que ajudam a projetar cenários e riscos, conforme informação divulgada pelo g1

Crise de Suez, 1956: bloquear rotas estratégicas como arma

A entrada dos houthis na disputa, com ataques a Israel e capacidade de atingir navios no mar Vermelho, reacende memórias da crise de Suez.

Naquela época, quando Gamal Abdel Nasser nacionalizou o canal, ele entendeu que a interrupção da via poderia ter efeitos políticos e econômicos decisivos.

O paralelo com hoje se concentra na capacidade de prejudicar acessos, já que por onde passam normalmente 30% do tráfego mundial de contêineres e cerca de 15% do comércio global de mercadorias, e ataques podem restringir seriamente o uso do canal.

O editor de internacional da BBC, Jeremy Bowen, disse que, “Mais do que qualquer outra coisa, a crise marcou o fim da era do Reino Unido como potência mundial”, frase que ilustra como uma crise regional pode repercutir na geopolítica global.

Choque do petróleo, 1973: a “arma do petróleo” e o alcance econômico

Em 1973, a guerra entre Israel, Egito e Síria levou a um embargo árabe que elevou fortemente o preço do petróleo, com efeitos duradouros nas economias ocidentais.

O então ministro do Petróleo da Arábia Saudita, o xeque Ahmed Zaki Yamani, descreveu explicitamente como o controle do petróleo poderia ser usado como instrumento de influência, sintetizado na expressão “arma do petróleo”.

O episódio mostrou que, mesmo com mudanças na matriz energética, o petróleo continua sensível a choques de oferta, e perturbações na região podem afetar preços e inflação globalmente.

Como lembra a cobertura, “O embargo durou cinco meses, mas os especialistas afirmam que ele foi sentido por uma década”, o que destaca o potencial de efeitos prolongados sobre a economia mundial.

Analistas também apontam que, atualmente, “O que está acontecendo [agora] não é que os sauditas, os Emirados etc. dizem que não irão vender seu petróleo para os seus clientes na Europa”, mas que o Irã e aliados podem tornar a chegada do produto ao mercado muito mais difícil.

Guerra Irã-Iraque, 1980-1988: escoltas, minas e vulnerabilidades navais

A guerra entre Irã e Iraque demonstrou como confrontos regionais podem transformar o Estreito de Ormuz e seus arredores em um teatro de ataques a navios, com implicações para o comércio mundial.

Nos anos finais do conflito, ataques a navios levaram países a pedirem escoltas, resultando na Operação Earnest Will, que mostrou as limitações americanas para lidar com minas e ameaças assimétricas.

Um incidente marcante foi quando minas iranianas atingiram o navio Bridgeton, que estava sob proteção, expondo deficiências nas capacidades de varredura e proteção de comboios.

Hoje, com tecnologias como drones e mísseis antinavio mais difundidas, os riscos no Estreito de Ormuz e em rotas alternativas são possivelmente maiores, e a chamada para escoltas internacionais feita por líderes como Donald Trump ecoa lições daquele período.

O que essas lições indicam sobre os possíveis rumos da guerra no Irã

Em conjunto, os três episódios mostram que adversários podem usar a interrupção de rotas e o controle de recursos como instrumentos estratégicos, com efeitos que vão além do campo de batalha.

Se a atual escalada evoluir para um bloqueio persistente ou para campanhas de ataques a navios, impactos sobre cadeias de abastecimento e preços podem se materializar rapidamente.

Para os formuladores de política, as referências históricas sugerem que respostas militares isoladas podem não ser suficientes, e que coordenação internacional em escoltas, defesa contra minas e proteção de infraestrutura será fundamental.

Em suma, a história não determina o desfecho, mas oferece um mapa de riscos: bloquear rotas estratégicas, usar o petróleo como alavanca e explorar vulnerabilidades navais são estratégias que já funcionaram no passado, e, em um cenário de guerra no Irã, podem moldar os impactos globais.

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