quarta-feira, julho 22, 2026

Combustível de aviação: nova alta à vista e normalização só em 2028

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O setor de aviação global pode estar prestes a enfrentar uma nova rodada de aumento nos preços do combustível, com a normalização dos valores projetada apenas para 2028. O alerta vem da S&P Global, uma das principais agências de análise de mercado, que aponta a crise contínua no Estreito de Ormuz como o principal catalisador dessa instabilidade. A previsão, apresentada durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), acende um sinal de preocupação para companhias aéreas e, consequentemente, para os custos de passagens e fretes em todo o mundo, incluindo o Brasil.

O que você precisa saber

  • Risco de nova alta: A S&P Global prevê que os preços do querosene de aviação (QAV) podem subir novamente antes de qualquer sinal de estabilização.
  • Normalização distante: A expectativa é que o mercado de combustíveis de aviação só retorne a patamares pré-conflito de forma consistente ao longo de 2028.
  • Crise no Estreito de Ormuz: O fechamento e as interrupções na rota estratégica reduziram a oferta global de QAV em 20% a 30%, impulsionando a escalada de preços.
  • Impacto nas companhias aéreas: A Iata projeta que os lucros das empresas aéreas cairão pela metade em 2026, com o QAV representando 31% de suas despesas totais.
  • Recuperação lenta: Mesmo com uma eventual reabertura do Estreito, a cadeia de suprimentos levaria meses para se restabelecer completamente.

Perspectivas para o QAV: Crise de Ormuz e Verão Europeu

A diretora de pesquisa de combustíveis e refino da S&P Global, Eleanor Budds, explicou que o mercado tem sido sustentado pelo uso de estoques e pelo aumento das exportações de combustíveis por alguns países. Contudo, essa situação é insustentável a longo prazo. A chegada da temporada de maior consumo de gasolina nos Estados Unidos e na Europa, historicamente conhecida como ‘driving season’, pode reduzir a disponibilidade adicional de querosene de aviação, criando uma nova pressão de alta nos preços. “Nós acreditamos que a situação pode piorar antes de melhorar”, afirmou Budds.

A agência estima que a oferta disponível de combustível de aviação sofreu uma queda significativa, entre 20% e 30%, desde o início do conflito. Essa redução se deve tanto à menor atividade das refinarias quanto aos gargalos logísticos gerados pela interrupção dos fluxos comerciais na região do Estreito de Ormuz. Essa dinâmica já se refletiu nos preços: o valor médio global do combustível de aviação saltou de US$ 96 por barril em novembro de 2025 para US$ 188 por barril em abril deste ano. Apesar de um recuo para US$ 158 por barril em maio, o patamar ainda é considerado elevado e preocupante para o setor.

Para o Brasil, embora o conflito geopolítico esteja geograficamente distante, o impacto é direto. O país é importador de parte do seu combustível de aviação e está inserido no mercado global de commodities. Dessa forma, as flutuações internacionais de preço do QAV afetam diretamente os custos operacionais das companhias aéreas que atuam no território nacional, podendo ser repassadas, em alguma medida, aos consumidores em forma de passagens mais caras ou fretes mais elevados, impactando o turismo e o comércio.

Impacto nas companhias aéreas e nos custos de viagem

As projeções da S&P Global reforçam as preocupações já manifestadas pela Iata. A entidade estima que o lucro global das companhias aéreas deverá cair pela metade em 2026, atingindo US$ 23 bilhões, em comparação com os US$ 45 bilhões registrados em 2025. Esse cenário é impulsionado, principalmente, pelo aumento do custo do combustível de aviação, que deverá ficar cerca de 70% mais caro neste ano.

Esse encarecimento do QAV representa um aumento de aproximadamente US$ 100 bilhões nos gastos das empresas aéreas com combustível. Consequentemente, a participação do QAV nas despesas totais do setor deve saltar de 25% no ano anterior para mais de 31% em 2026. Para o passageiro, essa realidade significa que as companhias terão menos margem para promoções e poderão ter que ajustar os preços das passagens para compensar os custos operacionais crescentes. O setor aéreo é altamente sensível aos preços do combustível, e qualquer variação significativa tem um efeito cascata em toda a cadeia de valor, afetando desde viagens de lazer até o transporte de cargas essenciais.

Cenários da S&P Global para a recuperação

A S&P Global trabalha com três cenários distintos para a evolução da crise, cada um com diferentes implicações para o mercado:

  • Cenário menos provável: Prevê um acordo negociado e a reabertura completa e rápida do Estreito de Ormuz, com um retorno relativamente ágil às condições de mercado pré-guerra.
  • Cenário “Quagmire”: O extremo oposto, que considera interrupções recorrentes na navegação por até três anos. Nesse cenário, os preços permaneceriam persistentemente elevados e voláteis, gerando um ambiente de grande incerteza e impactos econômicos mais severos.
  • Cenário-base (mais provável): A rota marítima seria reaberta gradualmente a partir do fim de julho ou agosto. No entanto, os preços do combustível permaneceriam acima dos níveis pré-conflito por um período prolongado, com uma estabilização efetiva apenas ao longo de 2028.

Eleanor Budds enfatizou que a simples reabertura do Estreito de Ormuz não representaria um alívio imediato para os mercados. A recuperação completa da cadeia de abastecimento levaria meses: cerca de 80% da produção de petróleo anterior ao conflito só voltaria após quatro meses, e as refinarias precisariam de aproximadamente cinco meses para retornar aos níveis pré-guerra. Isso sublinha a complexidade e a inércia da cadeia de suprimentos global, mesmo diante de uma resolução do conflito, o que significa que os efeitos da crise se arrastarão por um tempo considerável.

A situação atual do mercado de combustível de aviação exige atenção contínua. As projeções da S&P Global indicam que a volatilidade e os preços elevados serão uma realidade por mais tempo do que o esperado, com a estabilização completa ainda distante. Para o consumidor e as empresas, a principal lição é a necessidade de planejamento e a expectativa de um cenário de custos mais altos para viagens aéreas nos próximos anos, com a esperança de um horizonte mais tranquilo apenas a partir de 2028. Acompanhar a evolução geopolítica e as decisões das refinarias globais será crucial para entender os próximos passos do setor.

Aviso: este conteúdo é informativo e não representa recomendação individual de investimento, crédito, compra, venda ou decisão financeira. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, procure orientação profissional.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada
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Equipe ViralNews
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