Investigação aponta que canetas emagrecedoras foram aplicadas sem autorização da Anvisa em duas clínicas de Monte Alto, com apreensões, pacientes atendidos por reações e inquérito em andamento
Pacientes procuraram serviços de saúde após apresentar efeitos adversos atribuídos ao uso de canetas emagrecedoras, segundo relatos que motivaram a fiscalização em Monte Alto, no interior de São Paulo.
Durante a operação, autoridades apreenderam ampolas guardadas em geladeiras sem comprovação de procedência, e houve registro de fichas de atendimento que indicavam aplicação do medicamento nessas clínicas.
Conforme informação divulgada pelo g1, a ação envolveu Vigilância Sanitária, Guarda Civil Municipal e Polícia Civil, e levou à instauração de processos administrativos para apurar o caso.
Denúncias, apreensões e procedimentos administrativos
A fiscalização foi deflagrada após denúncias sobre um esquema de aplicação de canetas emagrecedoras, que culminou na apreensão de ampolas e na abertura de processos pela Secretaria de Saúde local.
Segundo a apuração, as ampolas de tirzepatida estavam armazenadas em geladeiras sem comprovação de origem, e as clínicas não tinham autorização da Anvisa para comercializar ou aplicar esse medicamento.
Relatos de atendimento por efeitos colaterais
Autoridades informaram que, em razão das reações apresentadas, “Esses pacientes precisaram de atendimento, seja no Pronto Socorro, seja nas unidades de saúde, por efeitos colaterais que teriam sido fruto desse uso. A partir daí, a Vigilância Sanitária foi integrada à ação que chegou aos dois estabelecimentos“.
Por conta desses relatos, a Vigilância optou por não lacrar as unidades, para que outros profissionais possam continuar a rotina de atendimento enquanto as apurações administrativas seguem em curso.
Prisões, fiança e defesas
A Polícia Civil prendeu em flagrante a biomédica Sinara Correa de Oliveira e a técnica de enfermagem Ivane Rosa da Silva. Sinara pagou fiança de R$ 1,6 mil e foi liberada, Ivane foi liberada após audiência de custódia.
As duas profissionais devem responder por falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins medicinais, conforme informou a investigação.
A defesa de Ivane afirmou que ela foi liberada por ser ré primária, ter bons antecedentes e residência fixa, e que os produtos apreendidos no local em que ela estava eram de uso pessoal.
A defesa de Sinara informou que a biomédica atua há anos sem histórico de irregularidades, e que exerce as atividades com base em conhecimento técnico e observância das diretrizes da profissão.
Investigação segue para descobrir a origem das ampolas
O delegado responsável, Marcelo Lorenço dos Santos, afirmou que as duas clínicas atuavam em conjunto, indicando clientes entre si, “O que se descortinou nessa investigação é que uma clínica era indicada pela outra. Então, os pacientes da clínica de estética eram arregimentados pela pessoa lá e esses pacientes tinham acesso a esse medicamento comercializado de forma irregular pela outra clínica“.
A Polícia Civil agora busca identificar quem fornecia as ampolas às clínicas, enquanto a Vigilância Sanitária e a Secretaria de Saúde mantêm os processos administrativos abertos para apurar responsabilidades.
As apurações permanecem em curso, e as autoridades recomendam que pacientes que receberam aplicações e apresentaram sintomas procurem atendimento médico, e que profissionais só utilizem medicamentos com autorização da Anvisa.
