Baleia-de-Rice em risco por expansão de petróleo no Golfo do México, como menos de 100 indivíduos podem ser afetados por ruído, colisões e derramamentos

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População estimada em menos de 100 indivíduos, presença restrita em águas de 100 a 400 metros, e perigo direto de novas perfurações e aumento do tráfego marítimo

A baleia-de-Rice é uma das espécies de baleia mais raras do mundo, e vive apenas no Golfo do México, em uma faixa estreita de oceano.

A espécie foi reconhecida como distinta recentemente, e depende de habitat e dieta específicos, o que a torna extremamente vulnerável a mudanças ambientais e à ação humana.

No contexto de planos para ampliar a exploração de petróleo e gás nos Estados Unidos, especialistas alertam para impactos diretos e indiretos sobre a espécie, conforme informação divulgada pelo g1.

Onde vive e por que é tão vulnerável

A baleia-de-Rice habita águas com profundidade entre 100 e 400 metros, ao longo de uma faixa relativamente restrita no nordeste do Golfo do México.

Segundo informações levantadas por cientistas, a espécie se alimenta principalmente de peixes de alto teor energético, e combina mergulhos diurnos para caça com permanência próxima à superfície durante a noite para descanso.

Esse padrão de comportamento aumenta a exposição a riscos como colisões com embarcações, além de deixar a espécie sensível a alterações na disponibilidade de presas.

Tamanho da população e sinais de declínio

Com uma população estimada em menos de 100 indivíduos, e possivelmente inferior a 50, a baleia-de-Rice é considerada criticamente rara, segundo pesquisadores acompanhando a espécie.

O reconhecimento formal da espécie ocorreu em 2021, e desde então levantamentos a identificaram em uma área limitada, o que dificulta a recuperação de populações afetadas por eventos pontuais.

Estudos ainda indicam que parte significativa da já pequena população pode ter sido afetada pelo desastre da plataforma Deepwater Horizon, em 2010, considerado um dos maiores vazamentos de petróleo da história.

Como a expansão da exploração de petróleo pode agravar as ameaças

Especialistas apontam que a ampliação de perfurações e da atividade petroleira pode aumentar o ruído subaquático, interferindo na comunicação e no comportamento de busca por alimento das baleias.

Além do ruído, o aumento do tráfego marítimo eleva o risco de colisões, e a intensificação de operações aumenta a probabilidade de novos derrames de petróleo, com impacto direto sobre animais e ecossistemas.

As mudanças climáticas, associadas ao uso de combustíveis fósseis, também podem alterar a distribuição das presas, reduzindo a disponibilidade de alimento para a espécie.

Impactos em outras espécies e debate político

Cientistas lembram que o ecossistema do Golfo do México é interligado, e alterações causadas pela exploração de petróleo podem afetar tartarugas marinhas, peixes-boi, aves marinhas, corais e outros mamíferos marinhos.

Do ponto de vista político, há pressão por aumento da produção de energia diante de tensões internacionais e de alta nos preços do petróleo, o que coloca em debate medidas que poderiam flexibilizar regras de proteção a espécies ameaçadas.

O ambientalista Michael Jasny, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, afirmou que, se flexibilizações ocorrerem no Golfo, “Se isso pode ser feito no Golfo, nenhuma espécie está totalmente segura”.

O que dizem os cientistas e qual é o próximo passo

Para biólogos como Jeremy Kiszka, da Universidade Internacional da Flórida, trata-se de uma espécie que, “vive bastante no limite”, por depender de um habitat específico e de uma dieta restrita.

Pesquisadores pedem avaliações de impacto mais rigorosas, monitoramento contínuo da população e medidas para reduzir ruído e tráfego em áreas críticas, além de planos de resposta a vazamentos que considerem a vulnerabilidade de espécies raras.

Decisões regulatórias nos EUA poderão determinar se a exploração será ampliada sem novas salvaguardas, ou se medidas de proteção serão reforçadas para evitar agravar o risco de extinção da baleia-de-Rice.

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