Artemis II: Nasa pode lançar missão tripulada à Lua nesta quarta às 19h24, veja trajetória de 10 dias, tripulação, riscos e impactos para Artemis III

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Artemis II chega à reta final para tentativa de decolagem em 1º de abril, com janela de cerca de duas horas às 19h24 em Brasília, avaliação de clima e ensaios finais na plataforma

A Nasa se prepara para tentar lançar a missão tripulada Artemis II nesta quarta-feira, 1º de abril, com decolagem prevista para às 19h24, no horário de Brasília, sujeita às condições meteorológicas e à conclusão dos testes finais da equipe, conforme informação divulgada pelo g1.

A missão levará quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, acoplada ao foguete Space Launch System, em um voo de cerca de dez dias que não prevê pouso lunar, mas um sobrevoo que incluirá passagem atrás do lado oculto da Lua.

Durante a viagem, a tripulação testará sistemas essenciais de suporte à vida, comunicações, navegação e controle manual da cápsula, etapas consideradas fundamentais antes de um pouso futuro, conforme informação divulgada pelo g1.

O que a Artemis II pretende provar e por que importa

A Artemis II tem função primária de validação com seres humanos a bordo, testando a Orion em ambiente de espaço profundo, longe da influência imediata da Terra.

Serão realizados cheques de sistemas já em órbita terrestre, testes de controle manual, e uma aproximação simulada a partes do foguete separadas, exercícios que devem preparar operações futuras com a estação lunar Gateway e acoplamentos entre naves.

Se bem-sucedida, a missão abre caminho para a Artemis III, que pretende realizar o primeiro pouso humano na Lua desde 1972, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar no satélite natural.

Foguete SLS e cápsula Orion, como funcionam

O foguete SLS mede 98 metros de altura e é descrito pela Nasa como o foguete mais poderoso já construído pela agência, com empuxo equivalente a 4 milhões de kg, aproximadamente o empuxo de 14 aviões Boeing 747.

O SLS usa dois propulsores de combustível sólido e um estágio central com quatro motores RS-25, seguido do estágio superior ICPS que impulsiona a Orion além da órbita terrestre.

A cápsula Orion tem capacidade para quatro tripulantes e conta com o Módulo de Serviço Europeu, fabricado pela Agência Espacial Europeia e pela Airbus, que fornece propulsão, energia por painéis solares, sistema térmico e gases respiráveis.

Trajetória, principais números e como será o retorno

A missão deve durar cerca de dez dias e não inclui pouso lunar. Após a subida e uma volta em órbita terrestre para checagens, a nave seguirá rumo à Lua e fará um sobrevoo que passará pelo lado oculto, período em que a tripulação ficará sem comunicação por 30 a 50 minutos.

Durante a aproximação, a Orion deverá voar entre 6.400 e 9.600 km acima da superfície lunar, e depois continuar até cerca de 7.500 km além do lado oculto, alcançando o ponto mais distante da Terra já atingido por humanos, superando o recorde da Apollo 13, de 1970.

No total, a espaçonave percorrerá mais de 2,2 milhões de quilômetros. A reentrada na atmosfera ocorrerá a aproximadamente 40.000 km/h, com o escudo térmico enfrentando temperaturas próximas de 3.000 graus Celsius, seguida da sequência de paraquedas que levará ao amerissagem no Oceano Pacífico.

Riscos, atrasos e as correções após Artemis I

A Nasa adotou uma postura cautelosa após a Artemis I, quando o escudo térmico da Orion apresentou mais de 100 pontos de desgaste durante a reentrada, com desprendimento irregular do material de proteção e fissuras causadas por gases presos no revestimento.

Para reduzir riscos, a agência realizou mais de 100 testes em centros diferentes, alterou o perfil de reentrada da Artemis II e submeteu sistemas de suporte à vida a testes extras.

Além disso, problemas técnicos detectados durante os ensaios na plataforma atrasaram o cronograma, incluindo um vazamento de hidrogênio em uma conexão de abastecimento do foguete e um problema com hélio causado por um selo defeituoso, que exigiu reparos no veículo.

Como resumiu John Honeycutt, chefe da equipe de gestão da missão, “Vamos voar quando estivermos prontos. A segurança da tripulação será nossa prioridade número um.”

Quem vai à Lua na Artemis II e que papel cada um tem

A tripulação é formada por quatro astronautas, três dos Estados Unidos e um do Canadá. O comandante será Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, e as especialistas de missão Christina Hammock Koch e Jeremy R. Hansen, este último coronel da Força Aérea Real Canadense e o primeiro canadense escolhido para um voo lunar.

Christina Koch será a primeira mulher em uma missão da Nasa ao redor da Lua, e Victor Glover será o primeiro homem negro a integrar um voo lunar, marcos simbólicos que reforçam a dimensão histórica da expedição.

Calendário de lançamento, janelas alternativas e pressões externas

A agência terá uma janela de cerca de duas horas para a tentativa de lançamento, e se for necessário haverá novas tentativas nos dias seguintes, conforme protocolos. O clima, incluindo ventos fortes, nuvens ou risco de raios, pode forçar adiamentos.

Há também pressão política e diplomática em torno da missão, por parte do Congresso americano, parceiros internacionais e pela competição tecnológica com outras nações que têm ambições lunares, mas a Nasa afirma que não lançará enquanto as condições de segurança não forem atendidas.

O administrador da NASA comentou sobre a importância do passo, “A Artemis II será um passo decisivo para a exploração espacial humana”, disse Jared Isaacman.

O que vem depois e o papel da Artemis II no programa lunar

A Artemis II é vista como um teste essencial antes da Artemis III, prevista para não antes de 2027 ou 2028, que pretende levar humanos à superfície lunar, no polo sul da Lua.

No futuro, a Nasa planeja usar a Lua como trampolim para missões tripuladas a Marte, estabelecer uma presença humana prolongada no satélite e construir a estação orbital Gateway, com participação de parceiros que já contribuem, como o braço robótico Canadarm3 e o Módulo de Serviço europeu da Orion.

Se a decolagem ocorrer conforme o planejado, a Artemis II será a primeira missão tripulada lunar em mais de meio século, com testes chave que definirão a confiança na capacidade de levar humanos novamente à superfície lunar.

Conforme informação divulgada pelo g1.

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