Alta dos fertilizantes no Brasil em 2024 não deve elevar preços dos alimentos agora, entenda por que safras e diesel seguram o impacto

0
7

Com a disparada dos fertilizantes motivada pela guerra no Oriente Médio, a colheita já feita e o custo do diesel explicam por que o consumidor não sente alta imediata

A alta nos preços dos fertilizantes, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, ainda deve ter pouco impacto nos preços finais dos alimentos neste ano.

Isso ocorre porque boa parte da colheita de grãos já terminou ou está em processo de finalização, como arroz, soja e as primeiras safras de feijão e milho, o que adia o efeito da alta nos insumos para as prateleiras.

O consumidor não deve sentir os efeitos agora, mas os produtores já estão preocupados, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que a alta não chega imediatamente ao consumidor

Parte da safra 2023, e boa parte das lavouras desta temporada, foram plantadas e adubadas antes da escalada dos preços, por isso, “Nesses casos, o fertilizante já saiu do solo”, comenta Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro.

Além disso, estoques e contratos de compra antecipada protegem parte da oferta no curto prazo, o que amplia o intervalo até que o aumento dos custos se reflita na inflação de alimentos.

Quais culturas são mais vulneráveis à alta dos fertilizantes

O impacto varia por cultura, porque cada uma usa tipos e volumes diferentes de NPK, nitrogênio, fósforo e potássio. Segundo André Braz, economista do FGV Ibre, “O Brasil importa hoje cerca de 85% dos fertilizantes que consome, com destaque para ureia, potássio e fosfatos”.

Felippe Serigati detalha ainda que “O Brasil importa 90% do seu consumo de nitrogênio, 96% do potássio e, do fosfatado, é um pouquinho menos, cerca de 80%”. Culturas como o milho, que dependem muito de fertilizantes nitrogenados, são consideradas “uma das culturas mais vulneráveis no curto prazo”.

Arroz e trigo também exigem grandes volumes de nitrogênio, o que pode levar produtores a reduzir área plantada, e a cana-de-açúcar, com uso intensivo de potássio, pode ter custos e produtividade afetados.

Dependência externa e como isso pressiona preços globais

O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes usados nas lavouras, e o Oriente Médio tem papel central na cadeia global. “O Oriente Médio é o quarto maior fornecedor do Brasil, depois da Europa, Ásia e África”, e a região responde por “40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia”, segundo dados da StoneX Brasil.

Os efeitos já aparecem nos preços, com forte alta para alguns insumos, “Somente nas três primeiras semanas de conflito, o preço da ureia subiu 46%, segundo levantamento do Rabobank”. O relatório também destaca que, “Quando olhamos para um período mais longo, desde o início do ano até a semana de 20 de março, a ureia apresenta uma alta de 76%”.

Efeito do diesel e perspectivas para médio prazo

Especialistas apontam que, no curto prazo, o fator com maior impacto direto no bolso do consumidor tem sido o diesel. “O diesel tem um impacto muito mais direto e imediato no bolso do consumidor do que o fertilizante”, afirma Serigati.

“Ele afeta tanto o uso de maquinário agrícola quanto toda a cadeia de transporte e distribuição rodoviária no Brasil”, completa o pesquisador, lembrando que a formação de preços envolve clima, estoques e outros custos além dos fertilizantes.

No médio prazo, se os preços dos fertilizantes se mantiverem altos e houver redução na aplicação ou na área plantada, a oferta pode cair, elevando preços. Porém, fatores como clima favorável já demonstraram a capacidade de reduzir pressão sobre os valores, como aconteceu com safra recorde em 2023, apesar dos custos elevados.

O que observar nas próximas semanas, acompanhe evolução dos preços da ureia e de outros insumos, decisões de compra dos produtores na virada do semestre, e possíveis mudanças na logística internacional, porque essas variáveis vão definir quando e quanto a alta dos fertilizantes chegará ao prato do consumidor.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here