quarta-feira, julho 22, 2026

Supermercados brasileiros atrasam expansão de ovos cage-free, diz estudo

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Apesar dos compromissos públicos assumidos por grandes redes de supermercados no Brasil, a transição para a venda exclusiva de ovos de galinhas criadas em sistemas livres de gaiolas, conhecidos como “cage-free”, tem avançado a passos lentos. Um estudo recente do Observatório do Ovo, da ONG Alianima, revela que a maioria das empresas não tem cumprido suas metas, frustrando expectativas de consumidores e defensores do bem-estar animal que esperam por produtos mais éticos nas gôndolas.

O que você precisa saber

  • Um levantamento da ONG Alianima aponta que 64% dos supermercados brasileiros não aumentaram a oferta de ovos cage-free ou até mesmo retrocederam em seus percentuais.
  • Quase um quarto (24%) das empresas que assumiram o compromisso de transição para ovos livres de gaiolas não prestam contas sobre seus avanços.
  • Os principais obstáculos citados pelas redes incluem o alto custo do produto, dificuldades de abastecimento (especialmente nas regiões Norte e Nordeste) e o baixo conhecimento dos consumidores sobre o tema.
  • Redes como Carrefour e Pague Menos foram destacadas no relatório por não apresentarem evolução ou por reduzirem a participação de ovos livres em suas lojas.
  • O sistema “cage-free” garante que as galinhas sejam criadas soltas em galpões, com espaço para ciscar, se movimentar e empoleirar, diferentemente das condições restritivas das gaiolas de confinamento.

A Promessa de Bem-Estar Animal e a Realidade nas Gôndolas

Desde 2015, mais de 160 empresas brasileiras, incluindo gigantes dos setores de alimentação e hotelaria, anunciaram publicamente o compromisso de substituir ovos de galinhas criadas em gaiolas por sistemas “cage-free”. As próprias empresas definiram prazos para o cumprimento dessas metas, com alguns vencendo entre 2021 e 2030. No entanto, o estudo do Observatório do Ovo, realizado anualmente pela Alianima, mostra um cenário preocupante: 64% dos supermercados analisados não aumentaram a participação de ovos livres de gaiolas em suas prateleiras ou, em alguns casos, apresentaram retrocessos.

A falta de transparência também é um problema significativo, com 24% das empresas que assumiram essas metas não prestando contas sobre o progresso. O relatório cita exemplos específicos, como o Carrefour, que, apesar de um compromisso público, reduziu a participação de ovos livres em seus supermercados de 21,4% para 20,2% no último ano. A rede também foi apontada como a única entre as comprometidas a não oferecer pelo menos uma marca de ovos livres em todas as suas lojas. Outro exemplo é o Pague Menos, que não demonstrou evolução em sua transição.

Os Desafios da Transição: Custo, Logística e Consciência

Para entender os entraves, a Alianima ouviu as redes de supermercados, que apontaram uma série de desafios. O alto custo do produto foi o obstáculo mais citado, por 67% das empresas. As dificuldades de abastecimento também são um fator crucial, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a oferta de ovos “cage-free” é mais escassa. A falta de conhecimento dos consumidores sobre o assunto foi mencionada por 44% das empresas, e 33% relataram baixa aceitação do produto pelos clientes, indicando que a demanda ainda não é robusta o suficiente para justificar uma transição mais rápida.

Paradoxalmente, 78% das empresas reconhecem que a transição para ovos livres de gaiolas provoca uma percepção positiva da marca, sugerindo que o benefício reputacional existe, mas os desafios operacionais e financeiros prevalecem. A falta de apoio de associações do setor também foi citada por 22% das empresas. É importante notar, no entanto, que 33% das empresas afirmaram não encontrar dificuldades na transição, mostrando que o sucesso é possível e depende de estratégias internas e engajamento.

Entendendo o Sistema “Cage-Free”: Um Passo para o Bem-Estar

A principal diferença do sistema “cage-free” reside na liberdade de movimento das galinhas. Em muitos sistemas convencionais, as aves são confinadas em gaiolas apertadas assim que começam a botar ovos. Nesses espaços restritos, até 11 animais podem dividir o mesmo ambiente, sem conseguir ciscar, esticar as asas ou realizar comportamentos naturais importantes para seu bem-estar.

No sistema “cage-free”, as galinhas são criadas soltas dentro de um galpão. Elas têm espaço para caminhar, ciscar, empoleirar-se e botar ovos em ninhos, o que melhora significativamente sua qualidade de vida. Institutos como o Certified Humane Brasil estabelecem normas rigorosas para a criação com foco no bem-estar animal, concedendo certificação às empresas que seguem esses padrões. As regras incluem, por exemplo, um limite de 7 a 11 aves por metro quadrado no aviário, além de garantir espaço adequado nos comedouros (5 cm por ave) e poleiros (15 cm por ave), com água e comida à vontade.

O Futuro do Mercado de Ovos e o Papel do Consumidor

A lentidão na transição para ovos “cage-free” no Brasil tem um impacto direto nos consumidores, que veem suas opções limitadas e, muitas vezes, não conseguem alinhar suas escolhas de compra com valores de bem-estar animal. A falta de transparência por parte das empresas também dificulta a tomada de decisão informada. Para que essa mudança aconteça de forma mais efetiva, é fundamental que as empresas reforcem seus compromissos, invistam em cadeias de suprimento mais robustas e atuem na educação dos consumidores.

Para o consumidor brasileiro, a busca por selos de certificação, como o Certified Humane, e a demanda ativa por ovos “cage-free” nas lojas podem ser catalisadores importantes. A pressão do mercado e a consciência dos compradores são elementos cruciais para que as promessas de bem-estar animal se tornem uma realidade mais presente nas gôndolas dos supermercados. A evolução desse cenário dependerá da capacidade das empresas de superar os obstáculos e da persistência de consumidores e organizações em defender uma produção de alimentos mais ética.

O panorama atual mostra que, embora haja um compromisso inicial por parte de muitas empresas, a concretização da venda exclusiva de ovos “cage-free” ainda enfrenta resistências significativas. Será preciso monitorar de perto os relatórios anuais das empresas, bem como o avanço de novas pesquisas, para avaliar se o setor conseguirá, de fato, honrar suas promessas e atender à crescente demanda por produtos que respeitem o bem-estar animal.

Fontes consultadas

  • Fonte 1 informada ao ViralNews pelo sistema de curadoria automatizada

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