Slowjamastan, a micronação do deserto que reúne 25 mil ‘cidadãos’, passaportes e leis curiosas, conheça o sultão que transformou 4,5 hectares em nação

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Slowjamastan nasceu como um projeto durante o lockdown, hoje tem 4,5 hectares, força policial simbólica, passaportes e 25 mil ‘cidadãos’ espalhados por 120 países

No coração do vale de Coachella, entre fazendas de tâmaras e a fronteira com o México, uma pequena faixa de deserto se tornou a sede de uma micronação inusitada, com bandeira, moedas e um título, o de Sultão.

A República de Slowjamastan ocupa pouco mais de seis campos de futebol, tem leis excêntricas, e atrai pessoas que buscam diversão, escapismo ou um refúgio das discussões políticas intensas.

Nas palavras dos organizadores, a experiência é aberta e tanto inclui quem visita o território no sul da Califórnia, quanto quem adere virtualmente como cidadão, conforme informação divulgada pelo g1.

Um projeto que virou micronação

O fundador é Randy Williams, conhecido no rádio como R Dub, apresentador do programa Sunday Night Slow Jams, transmitido por mais de 250 emissoras, ele se autodenomina o Sultão de Slowjamastan.

Segundo a narrativa do projeto, a ideia surgiu no início de 2020, quando o isolamento por conta da pandemia impediu Williams de completar uma viagem, e ele decidiu criar em vez de visitar outro país, perguntando, “Se eu não posso visitar outro país, por que não criar um?” conforme relato do fundador.

Williams procurou um terreno com requisitos específicos, encontrou um lote sem construções à venda por US$ 19,5 mil (cerca de R$ 100 mil), e comprou a área em 2021. A partir daí, a montagem de placas, um posto de fronteira improvisado, bandeiras e passaportes deram à terra a aparência de nação.

Regras, símbolos e economia simbólica

Slowjamastan criou um conjunto de regras e símbolos próprios, que fazem parte da narrativa e da experiência dos cidadãos. Entre as normas, o uso de crocs é proibido, e enviar e-mails em “resposta a todos” também é crime administrativo, segundo as publicações da micronação.

O território é dividido em províncias com nomes criativos, há um guaxinim como símbolo nacional, e o país emite sua própria moeda e passaportes para quem se interessa em formalizar a relação com a república.

Além disso, Williams e seus colaboradores compraram viaturas identificadas, e a micronação exibe equipamentos como caminhões e ambulâncias, numa encenação que mistura humor e ritual estatal.

Cidadania, cargos pagos e perfil dos seguidores

A cidadania formal de Slowjamastan é gratuita, obtida por um formulário online, enquanto títulos e cargos simbólicos podem ser adquiridos mediante pagamento, como embaixadas que custam entre US$ 10 e US$ 25 por mês.

De acordo com as informações divulgadas, a micronação reúne atualmente 25 mil ‘cidadãos’ registrados, vindos de cerca de 120 países, número que os organizadores comparam ao de pequenos Estados reconhecidos internacionalmente.

Para muitos, a adesão é lúdica, para outros, trata-se de uma forma de escapar das polarizações políticas, já que o estatuto da república proíbe debates políticos internos, exceto sobre a própria micronação.

Eventos, submarino e o olhar global

Slowjamastan realiza cerimônias públicas, como o lançamento de uma embarcação apelidada SS Badassin, descrita como um submarino quebrado destinado a “proteger a terra do contrabando”, e prepara-se para sediar a MicroCon 2027, conferência de micronações.

Apesar de o território não dispor de infraestrutura turística como hospedagem, os organizadores atraem visitantes e planejam eventos em San Diego, inclusive uma edição da MicroCon que acontecerá na cobertura de um arranha-céu.

O Sultão afirma que a micronação, embora nascida de um projeto pessoal, “não me pertence”, e complementa, “Bem, eu sou um ditador. Mas o país, na verdade, pertence a todos”, mostrando como o empreendimento mistura autoritarismo de brincadeira com sentimento de comunidade.

Slowjamastan funciona hoje como um experimento social e cultural, um espaço para cosplay diplomático, para colecionadores de passaportes alternativos, e para quem busca um refúgio criativo em tempos de polarização.

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