O ataque de um lutador de MMA em East Kilbride resultou em fratura de órbita e osso malar, diagnóstico de transtorno neurológico funcional e perda da capacidade de trabalhar
Uma esteticista relata que um único soco, após rejeitar um homem em um bar, mudou sua vida de forma definitiva, deixando-a com lesões físicas e neurológicas graves.
A vítima ficou inconsciente, passou semanas no hospital e agora convive com convulsões, tremores e dores crônicas, o que a impediu de voltar a trabalhar.
Os detalhes do caso e o desfecho judicial foram amplamente divulgados na cobertura do episódio, conforme informação divulgada pelo g1.
O ataque e as lesões
A noite que era para ser tranquila terminou em violência, quando Anne Marie Boyle, de 38 anos, foi abordada por um homem que não aceitava um “não” como resposta, segundo relatos da própria vítima.
Ela conta que, após recusar a investida de Sean McInnes em um bar em East Kilbride, na Escócia, ele a empurrou e, em seguida, desferiu um soco que a deixou inconsciente. “Fiquei inconsciente”, disse Boyle.
O golpe causou fratura de órbita e do osso malar, e ela relata que a dor no rosto e nos dentes era intensa. “Nunca senti uma dor como aquela”, afirmou a vítima.
McInnes havia participado do evento de muay thai Lion Fight 68, e testemunhas disseram que ele também nocauteou outra pessoa na mesma noite. A informação de participação em competições reforça a preocupação sobre a força do agressor, apontam relatos.
Diagnóstico e impacto neurológico
Após ficar três semanas internada, Boyle recebeu diagnóstico de transtorno neurológico funcional, abreviado como TNF, condição em que o cérebro deixa de enviar sinais corretamente ao corpo, provocando convulsões e perda de controle motor.
Além das convulsões, ela convive com tremores involuntários e dores crônicas. Essas sequelas têm impacto direto na rotina, e a vítima afirma que “minha vida é completamente diferente” desde o ataque.
O episódio também resultou na revogação da carteira de motorista de Boyle, porque não é considerado seguro que ela dirija diante do risco de perder a consciência. Incapaz de trabalhar, ela perdeu sua empresa e sustento profissional.
Processo, pena e reação da vítima
McInnes inicialmente alegou inocência, mas no dia do julgamento reconheceu o ataque. Ele foi preso em março e recebeu pena de 21 meses de prisão. A sentença deixou Boyle desapontada, pois ela esperava punição mais severa.
Ela afirmou que se sente injustiçada ao comparar as consequências: “Ele irá sair e voltar para sua família e seus filhos. Ele vai poder dirigir e voltar para o trabalho. E eu não posso trabalhar, pois posso cair a qualquer momento.”
Além do impacto físico, Boyle descreve que a experiência do processo judicial foi traumática, por ter de ver novamente o rosto do agressor durante o julgamento.
Prevenção e mensagens da vítima
Anne Marie Boyle diz que conta sua história para alertar outras pessoas e para tentar tornar o mundo mais seguro para mulheres, inclusive para suas duas filhas. “Tenho duas filhas que precisam de mim e tenho muitas pessoas que me amam à minha volta”, afirmou.
Ela pede maior consciência sobre os riscos representados por agressores, e ressalta que algumas vítimas podem não ter o mesmo sistema de apoio que ela teve. “Estou contando esta história porque não quero que isso aconteça com outras pessoas que talvez não tenham o mesmo sistema de apoio, que podem não ser tão fortes, que podem não ter resistência”, disse Boyle.
O caso ilustra preocupações sobre comportamentos agressivos em ambientes públicos e levanta questionamentos sobre segurança, responsabilização e apoio às vítimas de violência, especialmente quando o agressor tem treinamento em artes de combate, como é o caso do lutador de MMA envolvido.