A chegada da adutora em testes leva alívio ao agricultor que encontrou possível petróleo ao perfurar poço artesiano, enquanto a ANP analisa amostra e a família espera esclarecimentos
O agricultor Sidrônio Moreira, que em 2024 perfurou um poço artesiano e encontrou um líquido com características semelhantes a petróleo, já recebe água em casa proveniente de uma nova adutora da região.
A família celebra o alívio pelo abastecimento, depois de depender de carros-pipa, e aguarda um laudo técnico da Agência Nacional do Petróleo, gás natural e biocombustíveis, a ANP, para confirmar a natureza do material encontrado.
O sistema de adutora segue em fase de testes, e quando começar a operar deve beneficiar cerca de 700 famílias da região, segundo relatos da família e autoridades locais, conforme informação divulgada pelo g1.
O achado no poço e a reação da família
Ao perfurar o primeiro poço no Sítio Santo Estevão, Sidrônio viu emergir um líquido preto, denso e com odor de combustível, em vez da água esperada para o consumo e para os animais.
Em entrevista, o agricultor afirmou, “Se eu disser que desde ontem está caindo água aqui em casa da nova adutora?! Ainda não inauguraram, estão fazendo teste, mas está caindo [água]. E deu uma chuva boa também. É um alívio, graças a Deus”.
O filho, Sidnei Moreira, disse que a prioridade sempre foi encontrar água para a propriedade, para garantir o sustento da família e dos animais, e que a descoberta de petróleo não era a intenção inicial.
Abastecimento pela adutora e impacto local
A adutora em fase de testes transporta água para comunidades afetadas pela seca, e a ativação definitiva do sistema deve beneficiar cerca de 700 famílias.
A chegada da água reduz a dependência de carros-pipa e melhora a qualidade de vida de moradores como Sidrônio e sua esposa, Maria Luciene, que vivem com dois filhos no sítio e têm renda proveniente de aposentadorias e da venda de animais, feijão e milho.
O que a ANP já fez e o que ainda falta
A família e o IFCE comunicaram o achado à ANP em julho de 2025, e a agência realizou a primeira visita ao local em 12 de março deste ano, quando conversou com a família e recolheu uma amostra para análise.
A ANP ainda não entregou um laudo conclusivo, e não há prazo previsto para a resposta, segundo as informações relatadas pela família e por técnicos ouvidos pela reportagem.
Direitos sobre recursos do subsolo e possibilidade de compensação
Conforme os técnicos da ANP explicaram, o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são propriedade e monopólio da União, de acordo com a Constituição Federal, por isso o agricultor não será titular do recurso.
No entanto, se a área vier a ser explorada comercialmente no futuro, o proprietário da terra pode ter direito a um repasse financeiro, e esse valor “pode chegar a até 1%”, dependendo de avaliações técnicas sobre a viabilidade da extração.
Especialistas lembram que achados pequenos ou sem viabilidade econômica já foram descartados em outras ocasiões, e cabe à ANP e a empresas habilitadas avaliar se a extração seria interessante para a bacia.
Contexto geográfico e próximos passos
Tabuleiro do Norte fica a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, na região do Vale do Jaguaribe, e faz parte da área conhecida como Bacia Potiguar, que se estende entre o Ceará e o Rio Grande do Norte e é alvo de atividades de exploração.
Os próximos passos incluem a divulgação do laudo da ANP sobre a amostra recolhida, avaliações técnicas sobre a extensão do acúmulo e decisões sobre eventuais testes adicionais ou medidas de mitigação para garantir segurança e abastecimento à família e à comunidade.
Enquanto isso, a chegada da água da adutora em fase de testes traz alívio imediato aos moradores do Sítio Santo Estevão, e mantém a família atenta às definições técnicas e legais que ainda virão.
