Estreito de Ormuz: 221 travessias registradas entre 1º de março e 3 de abril, maioria ligada ao Irã, 240 passagens contabilizadas e 8,45 milhões t de petróleo em cargas

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Análise com dados da Kpler aponta 221 embarcações entre 1º de março e 3 de abril, 122 vazias, 118 carregadas, e participação crescente do Irã nas travessias e nas cargas

Um levantamento recente mostra movimentação intensa no Estreito de Ormuz desde o início dos confrontos na região, com implicações diretas para o comércio marítimo e os mercados de energia.

Os números revelam que boa parte das travessias envolve navios com origem ou destino no Irã, e que parte da frota circulou várias vezes pela rota estratégica.

As informações estão consolidadas em uma análise com base em dados da Kpler, divulgadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1

Quantidade de navios e natureza das travessias

Um total de 221 embarcações de transporte de petróleo, gás ou outros produtos cruzaram o Estreito de Ormuz, a maioria procedente ou com destino ao Irã, de 1º de março a 3 de abril, segundo uma análise da AFP com dados da Kpler. De acordo com os dados da Kpler, empresa que compila informações marítimas, como alguns navios cruzaram várias vezes a rota, o número total de travessias na verdade é de 240.

Do total de 221 embarcações contabilizadas, em 122 casos, as embarcações estavam vazias, e em 118, carregadas. Esses dados mostram alternância entre fluxos de embarque e retorno, em um cenário de restrições e risco elevado.

Países e percentuais das travessias

Desde o início da crise, quase seis em cada dez travessias foram de navios indo ou vindo do território iraniano, proporção que sobe para 64% quando transportam carga. Entre os demais países que conseguiram cruzar o estreito estão os Emirados Árabes Unidos, a China e a Índia, com participação relevante no tráfego.

Segundo a análise, a distribuição por países nas travessias é a seguinte, em percentuais do total: Emirados Árabes Unidos: 20%, China: 15%, Índia: 14%, Arábia Saudita: 8%, Omã: 8%, Brasil: 6%, Iraque: 5%. Esses números mostram a diversidade de rotas, apesar das restrições operacionais.

Cargas específicas e volumes movimentados

Desde 1º de março, seis navios, sobretudo procedentes do Brasil e da Argentina, entraram no Golfo com soja ou milho (382.000 toneladas no total), todos com destino ao Irã. A presença de grãos brasileiros e argentinos evidencia a continuidade de suprimentos alimentares, mesmo em meio à guerra.

Das 118 travessias de navios com carga, 37 transportavam petróleo, com um total de 8,45 milhões de toneladas. Além disso, foram identificados sete petroleiros partindo da Arábia Saudita, o que mostra que fluxos energéticos seguem ativos em rotas alternativas ou controladas.

Contexto geopolítico e impacto no comércio

O aumento de fiscalização e as ações militares alteraram a rotina no Estreito de Ormuz, rota crucial que concentra grande parte do trânsito de petróleo e gás entre o Golfo e mercados globais.

O Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz desde que os Estados Unidos e Israel bombardearam o seu território em 28 de fevereiro, em um ataque conjunto que desencadeou uma guerra com repercussões nos preços mundiais do petróleo e do gás. Esse movimento elevou o risco de rupturas em cadeias logísticas e pressionou cotações internacionais.

Em meio ao cenário, importadores e armadores monitoram rotas alternativas, seguros e disponibilidade de navios, enquanto analistas acompanham indicadores de estoque e preço para avaliar efeitos duradouros no fornecimento energético.

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