Banco Central avança na agenda evolutiva do PIX, com cobrança híbrida obrigatória, integração tributária, PIX em garantia e expansão para pagamentos transfronteiriços
O Banco Central mantém em andamento um conjunto de mudanças para o PIX, a ferramenta de transferências em tempo real que completou cinco anos em 2025.
As propostas visam tanto melhorar cobranças e crédito, quanto abrir caminho para pagamentos internacionais e integração com a reforma tributária.
As informações a seguir foram reunidas e divulgadas pelo g1, e trazem prazos, funcionalidades e o impacto esperado para consumidores e comerciantes, conforme informação divulgada pelo g1.
Principais novidades previstas para 2026
Entre as medidas mais próximas, o Banco Central planeja tornar obrigatória, a partir de novembro deste ano, a inserção no regulamento do PIX da possibilidade de cobrança híbrida, ou seja, QR code que permite pagamento tanto pelo PIX quanto por arranjo de boleto. Hoje essa opção já existe de forma facultativa, e a mudança tende a uniformizar a experiência entre instituições.
Também está em estudo a funcionalidade para pagamento de duplicatas escriturais via PIX, o que pode facilitar a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real e redução de custos operacionais, servindo como alternativa aos boletos bancários.
Além disso, o BC pretende adequar o PIX ao chamado split tributário, para integrar a ferramenta ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo, lembrando que, de 2027 em diante, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra, desde que seja feita por meio eletrônico.
Planos para 2027 e propostas mais estruturais
Com recursos disponíveis, o Banco Central estuda lançar, a partir de 2027, modalidades que ampliam o alcance do PIX. Uma delas é o PIX internacional, com objetivo de interligar sistemas de pagamento instantâneos e permitir pagamentos transfronteiriços de forma definitiva, e não apenas em formatos parciais e restritos a estabelecimentos específicos.
Outra proposta é o PIX em garantia, que funcionaria como uma linha de crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores, permitindo oferecer como garantia os recebíveis futuros via PIX, o que pode reduzir juros e ampliar acesso a crédito.
O BC também avalia um modelo de PIX por aproximação, funcionando offline, ou seja, permitindo pagamentos por aproximação mesmo quando o dispositivo não estiver conectado à internet.
PIX Parcelado e inclusão financeira
O lançamento de regras para o PIX Parcelado está em discussão há mais tempo, e a intenção é padronizar uma alternativa de crédito para cerca de 60 milhões de pessoas que hoje não têm acesso a cartão de crédito. O parcelamento via PIX já é ofertado por várias instituições, mas a padronização deve favorecer competição e queda de juros, ainda sem prazo definido para regulamentação.
Impacto, números e posicionamentos políticos
O PIX é apontado como sucesso e instrumento de bancarização no Brasil, e no ano passado, o PIX registrou R$ 35,36 trilhões em transferências, um novo recorde. A plataforma também ajudou a incluir milhões de pessoas no sistema financeiro e a facilitar pagamentos em pequenos negócios, presenciais e digitais.
Em reação a críticas externas, o presidente da República comentou publicamente sobre a ferramenta e reagiu com firmeza, lembrando que “Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX”, diz Lula ao comentar relatório dos EUA.
Ao comemorar cinco anos da ferramenta, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, afirmou, “É essencialmente quase todo adulto no país”, e destacou a mudança de comportamento: “Muita gente não usava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de se pagar as contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas”, afirmou o diretor do BC, Renato Gomes, em novembro do ano passado.
As evoluções recentes incluem funcionalidades como PIX Cobrança, PIX Saque, PIX Troco, PIX Agendado, PIX por Aproximação e integração com o Open Finance, e o calendário de mudanças promete ampliar ainda mais a utilidade do PIX para consumidores, empresas e autoridades fiscais.
