Conflito ocorreu enquanto corpo aguardava velório, discussão sobre necessidade de tanatopraxia e pagamento de diferença por urna fora do plano levou a agressões, militares registraram ocorrência
Uma discussão em frente ao corpo do idoso, enquanto aguardavam os procedimentos para velório e sepultamento, terminou em briga dentro de uma funerária de Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas.
Dois envolvidos tiveram lesões leves, um celular ficou danificado, e a ocorrência foi registrada como vias de fato, com encaminhamento para a Polícia Civil.
O caso teve início por divergências sobre serviços não previstos no plano funerário e valores cobrados a mais, conforme informação divulgada pelo g1
Como começou a confusão
Segundo a versão do dono do estabelecimento, a discussão teve origem quando foram indicados serviços não cobertos pelo plano contratado pela família, como a preparação especial do corpo, e a necessidade de uma urna de padrão superior.
O dono da funerária, identificado como Wagner Rocha, disse que houve cobrança adicional para a urna e que a família havia contratado, em 2015, um plano básico. Ele afirmou, “Eles contrataram um plano básico em 2015, que não incluía a preparação especial do corpo. A urna prevista no plano atendia às necessidades, mas a filha optou por um modelo de padrão superior, fora do contrato. Por isso, informamos que seria necessário o pagamento de uma diferença de cerca de R$ 1 mil. Ela se exaltou e, junto com o marido, partiu para cima de mim e me agrediu”.
Wagner completou que, “Diante da situação, minha esposa acionou a Polícia Militar”.
Versão da família
A filha do homem que morreu, Flaviane Natório Aparecida, de 44 anos, contou que tentou acionar o plano funerário ainda de madrugada. Ela afirmou, “Fiz o primeiro contato por volta de 3h40, informando que meu pai havia morrido. Mas, até cerca de 10h, nada havia sido resolvido em relação à urna”.
Flaviane disse que o pai morreu às 1h42 e que o corpo foi ficando inchado, motivo pelo qual foi sugerida uma urna maior. Ela também afirmou que aceitou pagar pela tanatopraxia quando foi oferecida, “Me ofereceram a tanatopraxia por R$ 900, eu concordei e pagaria de bom grado”.
Segundo a filha, a funerária condicionou o atendimento ao pagamento de uma diferença pela urna, “Disseram que eu teria que pagar cerca de R$ 900 a mais pela urna especial. Ou seja, R$ 900 pelo procedimento de preparação do corpo e mais R$ 900 por uma urna que coubesse meu pai”. Flaviane disse que, diante da cobrança, se sentiu humilhada e acabou perdendo o controle emocional, “Perdi a cabeça depois de tudo que aconteceu. Fui desrespeitada”.
O episódio e os danos
Em vídeo gravado por Flaviane, é possível ver parte do confronto. Ela relatou que começou a filmar quando o dono disse que não faria o enterro, e que o aparelho foi tomado durante a confusão. Wagner afirmou que não tomou o celular da mão dela e explicou, “Com todos já no chão, peguei um celular pensando que era da minha esposa, que também tem uma capinha rosa. É a primeira vez que ocorre uma situação dessas na funerária. Em mais de 20 anos de atuação, nunca vivi isso”.
A Polícia Militar orientou os envolvidos e os liberou no local. O registro da ocorrência, classificado como vias de fato, foi encaminhado à Polícia Civil para investigação, e os dois feridos apresentaram lesões consideradas leves.
Desfecho e providências
Após a confusão, a família optou por encerrar o atendimento com a funerária e contratou outro serviço de forma particular. Flaviane relatou que o pai foi sepultado em uma urna padrão, sem cobrança das quantias adicionais discutidas anteriormente.
O episódio em funerária Nova Serrana reacende questionamentos sobre transparência na oferta de planos funerários, cobranças por serviços fora do contrato e a necessidade de protocolos para atendimento em momentos de luto, para evitar conflitos em situações sensíveis.
